
Aos 4 meses de idade, Vítor Vizoni Scudeller Ferraza Fogliato já superou uma prova de fogo na luta pela vida. Ele nasceu com cardiomiopatia hipertrófica, uma doença congênita que impedia a circulação sanguínea no coração. Para sobreviver, teve de passar por um transplante. Em julho passado, quando o procedimento foi realizado no Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, Vítor não havia completado ainda 3 meses e pesava menos de 4 quilos um dos menores bebês já submetidos a transplante cardíaco no país.
Os pais Leonardo Ferraza Fogliato e Milena Vizoni Scudeller deixaram a filha Larissa, de 11 anos, e empregos em Campo Gran-de (MT) para buscar a cura do filho em Curitiba. Com isso, durante dois meses, a casa de Vítor foi a UTI do Hospital Pequeno Príncipe. A equipe médica controlou a saúde do bebê com um tratamento de suporte. "Ele não sugava, não respirava e a alimentação era feita por sonda. Pesava apenas 3,9 quilos", recorda a cardiologista pediátrica Eliana Pelissaria.
O coração que salvou a vida de Vítor veio de Porto Alegre e era de um bebê de 6 meses que morreu de hemorragia cerebral. A doença de Vítor estava tão avançada que o seu coração tinha três vezes o tamanho do órgão de uma criança da sua idade. Apesar do peso do doador ser o dobro do que tinha Vítor, o órgão pôde ser utilizado sem problemas. "Não tínhamos alternativa e não poderíamos correr o risco de esperar por outro coração", diz o cirurgião pediátrico Wanderlei Saviolo Ferreira. A partir do momento em que o órgão foi encontrado, o desafio passou a ser o tempo. "Como a distância entre Porto Alegre e Curitiba é grande, ficamos temerosos. Mas deu tudo certo. Foram cinco horas entre a captação do órgão e o início da circulação do sangue de Vítor", observa Ferreira.
A recuperação do bebê está surpreendendo até os médicos ele terá alta nos próximos dias. Vítor não ficou com nenhuma seqüela neurológica e já faz movimentos próprios da idade, como levar a mãozinha até a boca. "Ele está recuperando bem o tempo de desenvolvimento que perdeu no período em que estava na UTI. Já ganhou peso e está com mais de quatro quilos. Ele terá uma vida normal", diz Leonardo Cavadas, pediatra e coordenador dos transplantes cardíacos do hospital.
Vítor sempre terá de tomar medicamentos para controlar a possibilidade de rejeição e outras doenças, mas o transplante salvou sua vida. "Foi um milagre. Sabia que era um risco, mas estava confiante. Agora estou mais tranqüila", diz a mãe Milena. "Temos de acreditar sempre e ter fé", completa o pai.
O primeiro transplante de coração realizado no Pequeno Príncipe aconteceu em 2004, em um adolescente de 15 anos. Hoje com 18 anos, Adriano Silva, morador de Terra Roxa (PR), leva uma vida normal e saudável.



