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Transporte de radioativos requer cuidados extras

Empresas credenciadas devem apresentar um plano de transporte destes materiais e medidas que garantam a segurança no deslocamento

A cápsula com Selênio-75 recuperada no Rio não foi danificada, para alívio das autoridades | Carlos Ivan/ Agência O Globo
A cápsula com Selênio-75 recuperada no Rio não foi danificada, para alívio das autoridades (Foto: Carlos Ivan/ Agência O Globo)

O roubo no Rio de Janeiro de um carro que transportava Selênio-75 no porta-malas, no último dia 28, reavivou o medo de um novo acidente radioativo no Brasil, semelhante ao que ocorreu em Goiânia, em 1987, com uma cápsula de Césio-137. Após ampla divulgação na imprensa, o veículo foi localizado três dias depois, abandonado, após uma ligação anônima.

A empresa responsável e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) garantiram que o equipamento radioativo não foi violado. O caso, entretanto, levanta questionamentos sobre a segurança envolvida na manutenção e transporte desses materiais.

Elementos como o Selênio-75, usado para controle de solda em estrutura metálica, emitem radiação que pode causar danos ao organismo, conforme a intensidade da emissão e quantidade do material em contato com o corpo.

Regulamentação

O transporte de materiais radioativos no Brasil é uma prática antiga e regulada de acordo com normas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O Brasil é membro da AIEA e, junto com outros 140 países, adota o regimento de segurança do órgão para a manutenção de materiais radioativos e energia nuclear.

Conforme o chefe do serviço de avaliação de segurança do transporte de material radioativo da CNEN, Natanael de Carvalho Bruno, empresas que pretendem fazer o translado desses equipamentos precisam estar credenciadas pela Comissão Nacional para realizar a tarefa. Da mesma forma é necessário que a instituição tenha um supervisor de proteção radiológica, com título concedido pelo CNEN.

A empresa, segundo Bru­­no, deve apresentar um plano de transporte que mostre o passo a passo da condução do material do início ao fim da viagem e as medidas que garantam a segurança no deslocamento. "Em caso de algum incidente que saia do planejamento, a empresa deve informar em 24 horas ao CNEN para tomarmos as medidas cabíveis. No caso do Rio de Janeiro, a empresa estava de acordo com as normas seguidas no Brasil e não houve qualquer irregularidade", explica Bruno. "O problema foi de segurança pública."

Bruno argumenta que não há razão para utilizar equipes de escolta no transporte desses elementos. Os cuidados com o transporte também passam pelo armazenamento do material em embalagens testadas e aprovadas por um laboratório do Instituto, de acordo com normas internacionais. Os testes envolvem resistência à queda, fogo, permanência na água, entre outros. "A quantidade do produto está equiparada com a embalagem."

O supervisor de radioproteção da empresa Engisa Ltda., César Lúcio Molitz Allenstein, que também realiza esse tipo de transporte, acrescenta que os carros para levar os produtos devem apresentar adesivos e a fonte de radiação fica protegida e trancada no veículo. "A caixa do produto é fixada ao veículo, que também será guiado por pessoas autorizadas e credenciadas para isso", conclui.

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