Representantes dos travestis, do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do Rebouças e da organização não governamental (ONG) Transgrupo Marcela Prado chegaram a um acordo, na noite de terça-feira, para transferir de lugar os profissionais do sexo. Os homossexuais aceitaram a proposta de mudar para as ruas Dario Lopes e Maurício Fruet, nas proximidades da Rodoferroviária de Curitiba. Há cerca de 12 anos, o Rebouças é o principal ponto de prostituição de travestis na capital, o que sempre gerou reclamações por parte de alguns moradores.
A decisão de mudar de ponto foi tomada depois que a Polícia Militar, a pedido do Conseg, passou a abordar os clientes dos homossexuais. Segundo a presidente da ONG, a transexual Carla Amaral, o movimento chegou a cair até 80%. "Tentamos mostrar para as meninas que, se elas continuassem ali, ninguém conseguiria trabalhar", afirmou Carla. "Eles (os moradores) estão decididos a chamar a polícia toda noite. Desse, jeito, não vai ter clientes no local."
Integrantes da ONG começariam nesta quinta-feira à noite a colocar faixas e cartazes nas ruas do Rebouças que eram utilizadas pelas travestis (Piquiri, Santo Antônio, Rockefeller, Baltazar Carrasco dos Reis e Almirante Gonçalves), informando aos clientes a mudança do ponto.
A contrapartida dos moradores destas ruas será solicitar à Administração da Regional Matriz, da prefeitura de Curitiba, a instalação de um banheiro no novo ponto. O advogado Aldo Vianna, assessor jurídico do Conseg Rebouças, considerou o acordo histórico, já que, antes de se transferirem para o Rebouças, os travestis foram expulsos com violência de outras regiões. "É uma minoria massacrada e estigmatizada, que foi expulsa da região do Operário e da Praça Ouvidor Pardinho", comentou. "Agora não houve violência, foi uma proposta construída."
Apesar do acordo, o tenente Sérgio Augusto Silva, comandante da 5.ª Companhia da Polícia Militar, informou que "a PM vai continuar na área, abordando os clientes."
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