
Telêmaco Borba - Duzentas mil pessoas de 20 municípios da área de abrangência do Hospital Doutor Feitosa, em Telêmaco Borba, na região dos Campos Gerais, podem ficar sem um hospital de média complexidade por pelo menos seis meses em 2011. A direção da instituição colocou a unidade à venda por R$ 15 milhões. Se não houver interessados, o hospital será fechado em 31 de janeiro. O Hospital Regional, que deveria ter sido concluído em agosto, mas que está com as obras atrasadas devido a projetos complementares, deve começar a funcionar até o final do primeiro semestre de 2011. Prefeitura e governo do estado tentam encontrar uma saída.
Uma decisão em primeiro grau, dada pela juíza Júlia Barreto Campelo, do Fórum de Telêmaco Borba, impede o fechamento do hospital filantrópico e estipula multa diária de R$ 500 em caso de descumprimento. A decisão, que é favorável ao pedido feito pelo município, está sendo analisada pelo departamento jurídico do hospital e, segundo a administradora, Olga Schlusaz, há possibilidade de a direção recorrer nos próximos dias. A mesma ação obriga o hospital a manter o atendimento em atenção básica de pacientes encaminhados pelo Pronto-Atendimento Municipal. Um contrato entre o hospital e a prefeitura, que determinava esse atendimento, expirou em outubro e não foi renovado.
Em 2005, o hospital já havia pedido o descredenciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) por causa do déficit gerado entre o repasse do Ministério da Saúde e a demanda atendida pelo hospital. Um acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), que aumentou o repasse mensal à unidade, garantiu a continuidade do atendimento. Mas agora, conforme Olga, os donos do hospital que atende a região há 50 anos não têm mais interesse no empreendimento. "Trata-se de uma medida da família, que não tem mais interesse no hospital", afirmou a administradora. Ela acrescenta que, se o governo do estado estipular um prazo de atendimento até que o Hospital Regional fique pronto, a direção pode prorrogar o fechamento. "Não vamos dar as costas para a população", disse Olga.
Segundo o secretário municipal de Saúde de Telêmaco Borba, Ricardo Arcanjo, a prefeitura "não trabalha com a hipótese do fechamento". O diretor da 21.ª Regional de Saúde na cidade, Gilberto Stremel, acrescenta que o governo estadual vai tentar manter o atendimento.
A direção, no entanto, garante que, se não houver compradores, a instituição será desativadaa depois que o Hospital Regional começar a funcionar. Para Stremel, a situação é preocupante porque a unidade estadual é voltada exclusivamente para pacientes do SUS. Além disso, o projeto inicial do Hospital Regional não contempla Unidade de Terapia Intensiva (UTI), enquanto o Doutor Feitosa possui dez leitos de UTI adulto. O prédio, que está em fase de acabamento, deve ser entregue no final de dezembro pela construtora. Foi aprovada a construção de um anexo com 20 UTIs (10 para adulto e 10 neonatal), mas a obra ainda não começou. A região também perderá leitos gerais. O Hospital Regional terá 160 leitos, sendo 104 para internação e os demais para observação e pronto-socorro. O Doutor Feitosa possui 170 leitos para internação, além dos 10 leitos de UTI.
Fechamento
Conforme dados da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Paraná (Fehospar), em 1993 havia 553 hospitais credenciados ao SUS no Paraná. Atualmente, de acordo com a Sesa, são 538 hospitais em funcionamento, ou seja, 15 unidades a menos em 17 anos. "O problema é que o custo da saúde é muito alto e a remuneração dos hospitais que prioritariamente atendem pelo SUS é muito baixa, levando muitos hospitais à falência. Isso é um acontecimento generalizado, mas no interior é ainda pior porque os atendimentos se concentram num único hospital", comenta o presidente da Fehospar, Renato Merolli.




