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Segurança pública

Um mês após chacina, a vida volta ao Jardim União

Palco de oito mortes em outubro, vila reage e retoma as atividades normais. Policiamento nas ruas garante ar de tranquilidade

Moradores passeiam por rua do Jardim União: população se sente segura, mas tem medo do momento em que o policiamento sair da área | Rodolfo Buhrer/Gazeta do Povo
Moradores passeiam por rua do Jardim União: população se sente segura, mas tem medo do momento em que o policiamento sair da área (Foto: Rodolfo Buhrer/Gazeta do Povo)

Passado um mês da chacina que deixou oito mortos, entre eles um bebê de apenas cinco meses, as ruas voltaram a tomar vida no Jardim União, no Uberaba. Os moradores retomaram as suas atividades e a Rua Helena Car­­cereri Piekarski, principal rota dos atiradores, não se parece mais com o palco de uma tragédia – a rua, que passou a ficar deserta durante o dia e a noite, voltou a ter movimento. A tranquilidade de moradores é garantida, em parte, pela presença da Polícia Militar, que permanece no local. Os moradores, porém, dizem não esquecer os momentos de terror e afirmam que o medo ainda assombra a comunidade.

Quem vai ao Jardim União hoje nem imagina que o local foi palco de um massacre que chocou Curitiba, há apenas um mês. Comércio a todo vapor, vizinhos conversando em grupos nas esquinas, crianças indo e voltando das escolas tranquilas. De tempo em tempo, a cavalaria da Polícia Militar ou uma viatura passa para lembrar àquela comunidade que alguém está se preocupando com a segurança do local.

"As imagens ainda estão na nossa cabeça. Nunca vamos esquecer. Mas agora a vila está tranquila. Tudo voltou ao normal", afirma um dos moradores, que, mesmo dizendo se sentir seguro, pede para não ser identificado. O receio tem explicação. De acordo com os moradores ouvidos pela reportagem, aos poucos o efetivo da polícia está diminuindo, e eles temem o momento em que a PM deixar o local. Segundo eles, a vila ficará entregue aos bandidos.

O comandante do Policia­­mento da Capital, coronel Jorge Costa Filho, confirma que houve redução do efetivo, mas afirma que isso não fez com que a segurança fosse diminuída no local.

Segundo Costa Filho, não há previsão para que a PM deixe o Uberaba. "O policiamento será mantido. Quando a situação se estabilizar, o policiamento será readequado. Mas a polícia nunca vai sair de lá", explicou.

De acordo com o delegado Hamilton da Paz, titular da Delegacia de Homicídios, os sete envolvidos na chacina foram identificados pela polícia e foram presos. Outras quatro pessoas foram indiciadas como cúmplices. Os carros usados pela quadrilha também foram localizados. Para finalizar o inquérito, a polícia aguarda apenas os re­­sultados de exames periciais.

Mesmo com o inquérito estando praticamente fechado, porém, as armas usadas no crime (uma pistola .40, uma pistola calibre 380 e uma carabina .30) não foram encontradas até agora e nem há indícios de onde possam estar. Na época da chacina, levantou-se a hipótese de que as armas de calibre restrito pudessem ter sido emprestadas por outro grupo criminoso, já que o bando preso não teria tal poderio de fogo. "Em toda a minha carreira, eu nunca atendi uma morte que foi feita por disparo de carabina .30. É um arma de difícil acesso", diz Paz.

Segundo Paz, a hipótese do envolvimento de uma quadrilha de fora foi descartada. E mais: não há duvidas de que Wagner Jayson Pascoal, o "Nardão", 23 anos, um dos presos, é o mandante e comandante da operação – a chacina teria sido feita para vingar a morte de um membro da gangue de Nardão, apontado como o chefe do tráfico no vizinho Jardim Icaraí.

Segundo o delegado, a polícia trabalha com três hipóteses sobre a origem das armas: contrabando, manufatura ou empréstimo por conhecidos do bando. Paz descarta a hipótese de aluguel de armas entre facções criminosas. "Aqui não é como no Rio de Janeiro. É outra realidade", diz. De acordo com o delegado, os presos afirmaram que as armas ficaram nos carros. A polícia, porém, não encontrou nada nos automóveis.

O que as investigações policiais não descartam também é a possibilidade de que existam outros envolvidos na chacina. "Nada impede que se, no decurso do tempo, aparecerem outros envolvidos, eles também sejam processados", afirma o delegado.

O fato de o crime não estar 100% solucionado funciona como um fantasma assombrando os moradores da região, que temem que outros criminosos possam ainda estar na área. A diminuição do policiamento ostensivo também preocupa. "Tem uns cachorros (bandidos) que estão voltando a aparecer nos bares à noite. Eles tinham sumido e agora estão de volta", afirma uma moradora.

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