
A terceira mais antiga hidrelétrica do Paraná, encravada em um trecho preservado da Serra do Mar, pode virar ponto de visitação. "Queremos desenvolver essa região da Mata Atlântica muito bonita, onde vivem famílias e é possível fomentar o turismo rural", explica o diretor do departamento de turismo de São José dos Pinhais, Antonio Marcos Chupel.
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Por enquanto, a prefeitura negocia com a Copel a implantação de um projeto-piloto, com visitas guiadas à Usina Chaminé. A hidrelétrica fica na rota da antiga estrada que ia de Curitiba a Joinville, que passa por uma área de mata na Serra do Mar. São 15 minutos de trilha, com direito a cachoeiras e uma descida de "trolei", um tipo de bondinho em que os passageiros vão em pé.
A Usina Chaminé, que pertence à Copel, continua em funcionamento. Para sair da vila de moradores e chegar até a hidrelétrica construída na década de 1930, há dois caminhos: ou pela estrada, com cerca de dois quilômetros, ou pelos 650 metros de descida em um trolei. Parece simples, mas não é tanto: os trilhos foram construídos em 1928, para levar os materiais para erguer a usina, e a inclinação chega a 55 graus. Os deslocamentos são lentos: 13 minutos para descer. Quem enfrenta o desafio, admira a vista, com a usina e as corredeiras do Rio São João. A possibilidade de um circuito radical está sendo avaliada, com rafting pelo rio.
O operador de usina Leonel da Rocha Vieira, 48 anos, passou metade da vida trabalhando na Chaminé. Desde que entrou para a Copel, em 1989, ele sempre bateu cartão na hidrelétrica de São José dos Pinhais. Por causa da distância do centro da cidade, o trabalho sempre foi em turnos agora são seis dias na Chaminé e quatro de folga. Ficar longe de casa não é mais problema. "Já acostumei", diz Vieira. Do Morro Redondo, em dia de tempo aberto, dá para ver até parte de Curitiba.
A distância também é amenizada porque o operador de usina não fica lá sozinho: os turnos são sempre em dupla. Até três meses atrás, seu parceiro de trabalho era o próprio irmão, que entrou na Copel alguns meses antes que ele. Nos últimos anos, o trabalho ficou mais simples. Como a usina é teleoperada, estar lá significa dar apoio e zelar pelo espaço. Agora não é preciso mais fechar as pesadas comportas de concreto ou tirar as folhas que se acumulam na grade da represa, porque o processo foi mecanizado. A fidelidade à Chaminé deve permanecer. Vieira não tem intenção de trabalhar longe dali, que considera como um das usinas mais bonitas da Copel. "Aqui você trabalha com o coração, não é só o serviço", diz.












