Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Eletricidade

Usinas hidrelétricas são prioridades

Nem o risco de apagão faz o governo apostar em outras fontes para ampliar a capacidade de geração

Rio de Janeiro – Apesar de o Brasil ter grande potencial para investir em fontes alternativas para ampliar a capacidade de geração de energia do país – e, assim, fugir do risco de apagão elétrico – o governo não pretende apostar, tão cedo, em opções que fujam do modelo tradicional, como a energia eólica. De acordo com o presidente da Empresa de Planejamento Energético (EPE), Maurício Tolmasquim, as usinas hidrelétricas ainda são prioridade, ao lado, em menor escala, das termelétricas movidas a bagaço de cana-de-açúcar.

"Por que não iríamos aproveitar esse potencial imenso? Até porque usamos apenas um terço de nossa capacidade de gerar hidreletricidade. Além disso, é uma energia limpa e muito mais barata", afirmou o presidente da EPE, ao ressaltar que o megawatt/hora das usinas hidrelétricas custa cerca de R$ 125, contra R$ 200 da energia produzida nos parques eólicos.

"Já existe um equilíbrio da oferta e da demanda até 2011. Até lá, a proposta é investir em co-geração via bagaço de cana. Só em novos projetos no Mato Grosso do Sul e em Goiás, estimamos uma capacidade de 3 mil MW. Posteriormente, seria a vez das hidrelétricas. A eólica, hoje, não é prioridade, talvez dentro de 20 ou 25 anos", frisou Tolmasquim, que descartou a possibilidade de leilões de energia eólica no médio prazo.

Já a energia nuclear, segundo o presidente da EPE, tem um papel fundamental na matriz energética brasileira. Para Tolmasquim, a utilização de todo o seu potencial deverá acontecer apenas quando a energia hidrelétrica se tornar escassa, por volta de 2020:

"Nossa estratégia de voltar a investir no setor tem muito a ver, também, com a necessidade de mantermos nossa capacidade tecnológica. Daí o plano de retomar Angra 3 e ainda construir novas usinas a partir de 2015."

Do outro lado do balcão, os investidores parecem ter entendido os sinais do governo. Na carteira de projetos de energia elétrica do BNDES, as operações aprovadas para a construção de hidrelétricas e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) correspondem a investimentos totais de R$ 12,49 milhões e R$ 4,88 milhões, respectivamente, em 81 projetos. Os dados, referentes às aprovações entre 2003 e outubro deste ano, mostram, por sua vez, apenas três projetos de energia eólica, com investimentos totais de R$ 898 milhões. O destaque tem sido para a biomassa a partir do bagaço de cana, com 19 projetos que somam R$ 1,35 bilhão.

Com os preços do petróleo nas alturas e do gás natural batendo recordes e a crescente preocupação com o futuro da oferta de energia, a segurança energética entrou na pauta do dia e, tudo indica, para não sair mais. Só que, segundo estudiosos do assunto, o governo estaria negligenciando a vocação natural do país para as energias renováveis alternativas, como a eólica e a solar. Devido a alta dependência em relação a energia hidráulica – que domina 75,9% da oferta nacional de energia elétrica –, o país projetou para o mundo uma imagem irretocável, construída com base na sua matriz elétrica.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.