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Coração

Uso do stent divide cardiologistas

Há uma divisão na medicina sobre o uso do stent – mola que mantém as artérias coronárias desobstruídas. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI) apóiam o uso do equipamento. Baseados no estudo Syntax (apresentado no último Congresso Europeu de Cardiologia, realizado em setembro), que comparou o resultado do uso do stent (uma intervenção) e dos procedimentos cirúrgicos – como a ponte de safena –, as duas entidades apontam o sucesso do equipamento em, pelo menos, 95% dos casos.

O cardiologista e doutor em cardiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul Carlos Scherr explica que o stent, quando bem aplicado, é um procedimento importante para evitar futuras complicações. No entanto, tem sido usado em demasia no Brasil. "Há critérios para a colocação do stent, principalmente quando não é a melhor opção para o paciente", diz.

Scherr fundamenta-se em uma publicação da New England of Medicine. O estudo dividiu cidadãos que se trataram de problemas cardíacos em dois grupos: com e sem stent. E os resultados mostraram que não há redução de mortalidade e de risco de enfarte, além de não haver ganho de qualidade de vida para o grupo com o equipamento. Conforme o médico Marcelo de Freitas Santos, diretor clínico do Hospital Cardiológico Costantini e diretor do Departamento de Cardiologia Intervencionista do Paraná, essa pesquisa não pode ser levada a sério, porque apenas 6% do volume inicial de pacientes terminou os testes. "Houve controvérsia científica, pela metodologia aplicada e pelo viés de seleção dos pacientes", diz.

Para Santos, é importante informar aos pacientes sobre a segurança do stent. "É uma opinião da Sociedade Brasileira de Cardiologia: o uso do stent é embasado numa diretriz. Há, inclusive, um cadastro nacional, da SBHCI, que acompanha os pacientes", diz.

Batalha

As discussões sobre o stent são um conflito entre duas teorias da medicina do coração. Enquanto os clínicos defendem o tratamento convencional com médico habilitado e o paciente seguindo as recomentações, os intervencionistas apóiam o procedimento, considerado benéfico e eficaz.

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