
O déficit de vagas nos cemitérios de Londrina está na lista dos problemas mais urgentes a serem solucionados pela nova administração municipal. A conta é simples: somados, os cinco cemitérios públicos contam com apenas 240 terrenos disponíveis, número pequeno perto das 4,5 mil mortes registradas anualmente na cidade. A situação mais preocupante é a do popular Jardim da Saudade, na zona norte, que conta com 80 terrenos livres para atender à maior demanda local. Com o objetivo de evitar o esgotamento das vagas, além de revogar a concessão de jazigos sem manutenção, a Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), autarquia ligada à prefeitura da cidade, criará 300 vagas, enquanto aguarda o projeto de construção de um novo cemitério.
O diretor técnico da Acesf, Ademir Gervásio de Souza Junior, explica que, como a construção de um módulo vertical no Jardim da Saudade com capacidade para 1,3 mil vagas depende de documentação complexa para ser liberada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), a solução pode ser a construção de 300 gavetas normais em uma área vazia do cemitério. "Estamos vendo a melhor forma de utilizar o espaço, o que deve ser decidido até o fim da semana. Na próxima semana, começamos a construção com pessoal e recursos próprios", afirma, embora não saiba precisar o custo das ampliações.
Devolução
Com o menor preço de jazigo da cidade (R$ 1.248), o cemitério Jardim da Saudade, fundado em 1984, teve 193 dos cerca de 2,3 mil proprietários notificados no dia 28 de dezembro, pela inexistência de construção funerária nos terrenos. Quem não se adequar dentro do prazo terá a concessão revogada por decreto. "Enviamos as cartas e, passados 30 dias, publicaremos a notificação em edital, com prazo de mais 30 dias. Até abril, teremos a lista dos terrenos com concessão revogada."
Em 2010, a medida rendeu a devolução de 103 jazigos com preço de R$ 4.065 cada um no cemitério Padre Anchieta. Dos 3,5 mil terrenos do local, apenas 10 estão desocupados. "Como já se passaram três anos, podemos fazer um novo levantamento para ver se há terreno em estado de ruína", defende o diretor técnico da Acesf.
No São Pedro, na região central, 50 terrenos, ao preço de R$ 14.662, estão disponíveis para venda. No São Paulo, são 20 terrenos, a R$ 5.418 cada um. Já no João XXIII, 80 terrenos, com valor de R$ 5.982, ainda podem ser comercializados. "Não vai haver falta de vagas. Estamos procurando um local para construir um novo cemitério municipal com urgência. O ideal seria uma construção vertical, para otimizar espaço", afirma o diretor da Acesf.
Nos particulares, compra costuma ser antecipada
Situação bem diferente é a dos dois cemitérios particulares de Londrina. Operando há um ano e meio, o Parque das Allamandas tem grande parte dos 18 mil jazigos ainda disponíveis para venda. E uma das modalidades que mais tem atraído clientes é a compra antecipada, que pode render uma vantagem de mais de 50% no valor do terreno. "Para o pronto atendimento um jazigo custa R$ 15 mil. Se a pessoa comprar antes, sai por R$ 6,5 mil à vista. Mas também há opções de pagar em até 60 meses, com parcelas de R$ 181, o que totaliza R$ 10.860", explica o diretor executivo, José Rodrigo Neves. O prazo de carência na compra antecipada é de 72 horas.
Embora seja difícil traçar o perfil de compradores antecipados, Neves afirma que normalmente eles pertencem à classe C e D. "A questão econômica é um primeiro grande fator. A classe A/B não tem perfil de previdência, porque para ela R$ 15 mil no pronto atendimento não é um valor significativo. Mas existem outros fatores, como a existência de alguém muito idoso ou doente na família."
No Parque das Oliveiras, em funcionamento desde 1973, a compra de um terreno com 180 dias de antecedência pode ficar de 12% a 15% mais em conta do que para uso imediato. "Se acontecer algo antes dessa carência, a pessoa paga a diferença e usa um jazigo pronto", explica a gerente Maria Aparecida Ozelin Assunção. Segundo ela, os pedidos de orçamento aumentaram desde que a prefeitura expos a carência de terrenos vazios nos cemitérios públicos de Londrina.



