Cérebro, coluna, nervos, músculos, articulações. Coração e pulmões. Juntos, e funcionando bem, são eles que permitem o caminhar ereto, ritmado de tantos idosos. Mas se há algo errado, os pés arrastam-se, a coluna dobra, o movimento é cada vez mais lento.
Médicos defendem que a velocidade de march a também seja considerada um medidor de saúde durante o envelhecimento, tão relevante quanto outros quatro sinais vitais: pressão, frequência respiratória, temperatura e massa corporal. Perder a velocidade dos movimentos é um sinal natural de diminuição da vitalidade, de saúde deficiente em diferentes espécies, mas muitos especialistas não levam isso em conta.
Em trabalho publicado no fim do ano passado na revista científica Journal of Nutrition, Health and Aging, membros de uma força-tarefa da Academia Internacional de Nutrição e Envelhecimento apontara que a velocidade de marcha é um instrumento eficiente para prever expectativa de vida, surgimento de incapacidade física, necessidade de hospitalização, quedas e demências. Justamente por ser a expressão da interação de diferentes órgãos e estruturas do corpo. Uma velocidade de marcha menor do que 0,6 metro por segundo (m/s) deve ser considerada extremamente preocupante. Entre 0,6 a 1 m/s, a situação é considerada regular E acima de 1 m/s, normal.
"O andar é fundamental para o bem estar. Todo mundo que já quebrou a perna sabe o quanto é ruim. As pessoas têm muitas preocupações com o idoso, mas não com sua mobilidade", afirma Stephanie Studenski, professora da divisão de Medicina Geriátrica da Universidade de Pittsburgh (EUA) e uma das maiores autoridades mundiais em mobilidade de idosos.
Anormalidades na marcha podem indicar, por exemplo, o avanço de uma doença que já acomete o idoso, como uma cardiopatia ou um ou vários problemas de saúde desconhecidos que demandam investigação, como artrite, doenças pulmonares, distúrbios da visão ou causados pela diabete. Mesmo a depressão pode levar um idoso a arrastar-se. Além disso, a velocidade da marcha revela o consumo de energia dos velhos, o que ajuda predizer sua capacidade de cumprir tarefas cotidianas.
Um grupo de pesquisadores chefiado por Stephanie e que trabalha para o Serviço Nacional de Envelhecimento do governo norte-americano aprofunda atualmente a pesquisa sobre a relação entre a velocidade de marcha e a expectativa de vida. As análises apontam que uma velocidade de 0,6 m/s estaria relacionada, por exemplo, a uma sobrevida de não mais do que cinco anos. Por outro lado, aqueles que por meio de intervenções aumentam a velocidade de marcha, vivem mais.
"A velocidade de marcha é um indicador sentinela de que algo não vai bem e deve ser investigado", afirma a fisioterapeuta Mônica Perracini, diretora científica da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). "Mas a sociedade ainda acha que é aceitável o idoso andar devagarzinho. Um idoso curvado foi por muito tempo usado até na sinalização do metrô."



