As organizações não governamentais Pense Bicho e Amigo Animal realizam hoje, a partir das 9 horas, na Boca Maldita, em Curitiba, um protesto contra a venda indiscriminada de animais domésticos. As entidades querem alertar as autoridades e conscientizar a população sobre a necessidade de uma fiscalização do setor e sobre a guarda responsável. Segun-do as organizações, a clandestinidade resulta em maus-tratos aos animais e abandono de filhotes.
"Ninguém sabe quantos animais são vendidos em Curitiba, nem o que é feito com eles quando não são vendidos. São respostas que o poder público, por meio de uma fiscalização rigorosa, deveria ter", considera Marcelo Misga, presidente da Amigo Animal, que abriga 2 mil cães em uma chácara no município de Campo Magro, na região metropolitana. De acordo com ele, entre 25% e 30% dos animais resgatados são de raça.
O coordenador da Rede de Proteção Animal de Curitiba, Marcos Traad, admite que não existe uma estrutura específica para fiscalizar o comércio de animas. Segundo ele, até o fim do ano a prefeitura pretende criar o Departamento de Pesquisa e Conservação da Fauna, que fiscalizará o setor, promoverá campanhas educativas e cadastrará a população animal, com a implantação de chips. O processo de chipagem começou em agosto do ano passado. Dos 7 mil animais já registrados, 1,5 mil receberam o chip. A ideia é que a chipagem passe a ser obrigatória no momento da venda. "Vamos ter como associar o animal ao cidadão e responsabilizá-lo pelo abandono ou maus-tratos", diz o coordenador da Rede, que tem apoio de entidades, universidades e profissionais da área.
Proprietária de um canil há três anos e meio, Luciana Tavares faz coro com as ONGs. Ela não acredita que a chipagem resolverá o problema da clandestinidade se a fiscalização e as campanhas não forem reforçadas. "O assunto é delicado. As pessoas acham que eu cobro caro e acabam comprando filhotes dos criadores de fundo de quintal."
O assunto deve entrar em pauta na segunda-feira na Câmara Municipal de Curitiba. Um projeto de lei proíbe a venda de animais em feiras e exposições que não sejam específicas e também em pet shops localizados em supermercados e shoppings. Para as entidades, a proposta não é ideal. "Além de garantir o bem-estar dos animais, temos de assegurar a orientação das pessoas sobre todas as questões e responsabilidades que envolvem a compra de animal", afirma Marcelo Misga.



