
Roupa branca e nova, ceia farta, champanhe gelado, fogos, família e amigos. Tudo para brindar e testemunhar o fim de um ciclo e o nascer de um novo ano. Não há uma regra, mas a maioria das pessoas mantém um ritual para a passagem, seja por superstição ou apenas para comemorar a chegada de um novo período.
O psicólogo e antropólogo Gilberto Gnoato explica que o ser humano é movido pelo medo e pela esperança. Assim, celebrar o fim de um ano é como zerar o velocímetro. "É um momento em que nos propomos a uma reavaliação e temos a oportunidade de depurar as coisas ruins que aconteceram", diz.
Além da importância individual, Gnoato observa que o ritual de virada de ano influencia a organização e o ritmo da sociedade. "É preciso elaborar orçamentos para os próximos 12 meses e cumprir uma série de compromissos sociais. O início do ano traz a renovação dessas responsabilidades", analisa.
De acordo com a psicóloga Raquel Luz dos Santos, o aspecto mais importante da passagem é o momento de transição, o instante que não é nem um ano nem o outro. "Sentimos a necessidade de estabelecer um controle ritual desse momento. Para isso festejamos, confraternizamos e abraçamos pessoas que não conhecemos", diz Raquel.
É desse momento de necessidade de renovação que nascem os diversos rituais e simpatias, influenciados por crenças e culturas diferentes. Na análise do antropólogo, a aliança social estabelecida na passagem do ano representa o desejo único de renovação. Esta união é tradicional nas grandes festas de réveillon em todo o mundo, como na Times Square, em Nova Iorque, ou na Avenida Champs-Elysées, em Paris.
No Brasil, o espaço coletivo mais popular para receber o ano-novo são as praias. "Trata-se de uma questão geográfica e de herança cultural dos povos que formaram nossa identidade", diz a psicóloga Raquel. "Como a virada do ano é um tempo de estabelecer novos projetos, a praia se configura como um espaço coletivo em que se celebra a unidade social", afirma o antropólogo.
Além disso, o mar, segundo os psicólogos, tem ligações religiosas e místicas com a nossa cultura. Veja nove veranistas que escolheram o mar como cenário para a chegada do novo ano.











