
Matinhos - Beber direto na lata de alumínio pode trazer riscos para a saúde. Especialistas e órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dizem que, embora não haja registros de alguém que tenha ficado doente exatamente por isso, a possibilidade de contrair doenças como a leptospirose, a hepatite A e infecções gastrointestinais por bactérias existe. O risco, porém, pode ser eliminado com um simples cuidado: lavar a lata com água e sabão antes de beber.
"Você não come uma maçã sem lavar. O mesmo deve ser feito com a latinha", diz a chefe da Divisão de Controle de Alimentos da Vigilância Sanitária estadual, Marise Penteado de Mello. Esse hábito é levado a sério pela artista plástica curitibana Eliane Mara de Souza Chichof, que tem casa em Matinhos. "Lavo todo tipo de embalagem antes de colocar na geladeira. Não é só questão de higiene, mas de praticidade de se pegar o alimento já limpinho no refrigerador", explica.
A Associação Brasileira de Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), junto com outras entidades, montou um dossiê, em 2008, que reforça a orientação da Anvisa, mas que também diz que a bactéria causadora da leptospirose chamada leptospira , encontrada na urina de roedores, como os ratos, só sobrevive em meios líquidos e em temperaturas acima de 21°C. Isso quer dizer que, para a transmissão, a urina do rato teria de ser recente e a bebida ingerida quente. "Ou seja, a contaminação é um mito", diz o diretor executivo da Abralatas, Reno Castro.
A médica infectologista chefe do Controle de Infecção Hospitalar do Hospital de Clínicas e do Controle de Risco dos hospitais Vita, Marta Fragoso, é mais conservadora e ressalta que o risco existe. "A chance é pequena, mas, embora não haja registro de casos, ela existe". A leptospirose se manifesta em um período de até 30 dias, com sintomas como dor de cabeça, febre alta e dor muscular, e, nos casos mais graves, icterícia (pele e mucosas de tom amarelado), insuficiência renal e hemorragias.
Marta também alerta para a hepatite A. "Isso (a contaminação) aconteceria pela manipulação por um indivíduo contaminado que não tenha lavado as mãos depois de ir ao banheiro nem higienizado a latinha antes de servir". O doente com a hepatite A apresenta pele e olhos amarelados, fezes mais claras que o normal, urina escura, cansaço e dor abdominal e, em estágio avançado, comprometimento do fígado.
Bares e ambulantes
O manuseio e a armazenagem correta fazem parte das regras da Anvisa e das aulas ministradas no Senac.
"Faço pelo menos dois ou três cursos, depois volto e passo para os funcionários", diz Maria de Lurdes Cordeiro, dona do restaurante Container, um dos mais tradicionais de Antonina.
Os vendedores ambulantes são cobrados também. "Esse é um trabalho da vigilância de cada município do Litoral, que cadastra o autônomo, exigindo um pequeno curso e o cumprimento das normas de higiene", explica Marise.
Selo
No fim de 2008, a Anvisa foi questionada pelo Ministério da Agricultura (responsável pela qualidade de cervejas e refrigerantes) sobre a eficiência do uso de selos em latas. Após análise, a agência afirma que não há diferença entre as latas com selo e as sem. A médica infectologista Marta Fragoso reconhece que o selo não é garantia contra doenças, mas uma arma a mais para manter a higiene das latinhas. Conclusão: o melhor é sempre lavar.



