
Perto do mar e longe das preocupações do cotidiano, o corpo parece resistir a qualquer ordem para se mover, a menos que seja para alcançar uma cerveja ou um salgadinho. Só que o habitual comportamento de férias, almejado por veranistas ao longo de todo o ano, tende a cobrar o seu preço. Para voltar à boa forma, ou ganhar uma, é necessário trabalho duro com exercícios físicos, principalmente se for necessário recuperar o hiato do verão.
Levantamento feito pelo Paraná Pesquisas, a pedido da Gazeta do Povo, revela que metade dos turistas no Litoral do Paraná não pratica qualquer atividade física. Os principais motivos apontados para tal comportamento são a preguiça (37,5%) e indisposição em relação ao sol e ao calor (32,5%).
Ainda em relação aos cuidados com o corpo, quase 70% dos veranistas declaram cuidar da alimentação no Litoral, mas cometem deslizes: aproximadamente 37% dizem abusar um pouco da cerveja ou outra bebida alcoólica, e 22% confessam exagerar em sorvetes, doces e refrigerantes. O Paraná Pesquisas entrevistou 402 veranistas de Matinhos, Guaratuba e Pontal do Paraná, entre 28 e 31 de janeiro. A margem de erro do levantamento é de 5 pontos porcentuais.
Para o mecânico Maurício Ruiz, de 37 anos, a cerveja constitui não apenas uma diversão, mas o programa oficial das férias. Segundo as contas deste ponta-grossense que veraneia em Matinhos, ele e o irmão bebem em média de três a quatro caixas de cerveja com 12 latas por dia. "Férias na praia é assim mesmo. Levantou, forrou o estômago e já começa a tomar uma", explica. "Mas a gente evita a embriaguez ou dirigir depois de beber", ressalta. Quanto aos exercícios físicos, ele cita caminhada e jogo de futebol, mas confessa não ser um hábito não tão frequente quanto a cerveja.
Já as amigas Gizele Lisboa, 24 anos, Thamara Matias, 19, e Ana Caroline Spessato, 22, afirmam segurar um pouco na bebida e tentar manter uma rotina de atividades. "Acordamos às 8 horas para fazer caminhada na praia, mas às vezes dá uma preguicinha", conta Ana Caroline. As maringaenses, que passam férias em Guaratuba, também acusam a amiga Thamara de desmotivar o trio. "Eu não gosto, mesmo. Mas se elas insistirem bastante eu vou", defende-se a moça.
Prevenção
O médico cardiologista Costantino Costantini, diretor geral do Hospital Cardiológico Costantini, define a atividade física como uma espécie de "poupança de saúde" a ser feita pelo indivíduo ao longo da vida. "Quem não fizer essa programação de vida está predisposto a ter uma série de fatores complicadores para doença coronária", alerta. "A preguiça aparece quando o jovem começa a achar que ainda tem muito tempo pela frente antes de começar a fazer essa poupança", define.
Porém ele recomenda procurar orientação médica antes de iniciar uma atividade muito intensa no verão. "É necessária uma avaliação clínica antes de ir para a praia, com exames de sangue, colestetol, e pressão. Se tiver tudo normal, o veranista pode entrar no cronograma do professor de educação física da praia sem risco algum", afirma.
Sobre a alimentação, Costantini avalia que a permanência no Litoral não é uma desculpa para relaxar nos cuidados à mesa. "Quem diz isso está procurando justificativa para não se cuidar. Na praia, as pessoas encontram comida muito saudável, com abundância de verdura e peixe", exemplifica
Walmor de Farias, professor de Educação Física e coordenador de avaliação física do Projeto Viva o Verão, do governo estadual, avalia que os veranistas estão relaxando demais nos cuidados com o corpo. Em levantamento coordenado por ele, foi constatado que a maioria dos veranistas está acima do peso (leia acima). "A maioria não tem o hábito do exercício e não se esforça para passar a ter. Algumas pessoas até estranham quando digo que é preciso fazer atividade física três vezes por semana ou mesmo diariamente", relata.
Farias concorda que, devido ao clima no Litoral, a atividade realizada pode ser mais leve, mas condena o abandono completo. "Na praia, pode-se aproveitar o mês para atividades menos intensas, e dar um descanso para o organismo. Quando voltar das férias, daí se retoma o ritmo normal", recomenda.



