
A bandeira branca cobriu o Largo da Ordem, na tarde de ontem, no último pré-carnaval promovido pelo bloco Garibaldis e Sacis neste ano. Fantasias, acessórios e o sentimento dos foliões expressavam a paz e a alegria, em uma corrente para afastar as tristezas e esquecer as cenas de violência do domingo anterior, quando policiais e foliões entraram em confronto que deixou vários feridos e dúvidas sobre o local de realização do evento.
Os 7 mil participantes da festa responderam à altura o chamado dos organizadores do bloco para promover a paz e a alegria com a campanha "Vem meu amor, bandeira branca, eu peço paz". Um número expressivo de foliões levou, pelo menos, uma peça de roupa branca para apoiar a causa. O chamado foi respondido até mesmo por quem estava afastado da festa. Com vestido branco, a designer Teylla Suckow, 30 anos, não compareceu aos fins de semana anteriores por causa do excesso de pessoas. "Resolvi voltar para apoiar a causa. Mas o maior símbolo é o estado de espírito que todos devem trazer", diz.
O casal Marcos e Cleide Palma, ambos de 40 anos, confiou na segurança da polícia e no bom senso dos foliões para participarem do último pré-carnaval de Curitiba de 2012. Eles não estavam presentes na noite em que ocorreu o incidente, mas não se sentiram inseguros durante a apresentação de ontem. "Não podemos nos privar da festa", afirma Cleide.
A filha deles, Gabriela, 3 anos, era o símbolo de alegria que o casal trouxe para o Largo da Ordem. Vestida de fada, a pequena curitibana mostrava que era possível fazer uma festa tranquila depois dos últimos acontecimentos. "A maioria das pessoas que vêm para a festa é de bem. Eu frequento os bares do Largo há 25 anos e sinto que o curitibano é da paz", comenta Marcos.
Apesar das especulações sobre a retirada da festa do Centro Histórico de Curitiba, o casal acredita que o pré-carnaval precisa continuar no local. "Nós conhecemos o carnaval de Olinda, que tem ruas ainda mais estreitas. O carnaval aqui tem tudo para dar certo. Basta criar uma cultura nas pessoas", argumenta Cleide.
Incentivo à alegria
Alguns foliões também procuraram ousar e trouxeram fantasias variadas para aumentar o clima de alegria. Homens vestidos de mulher não faltaram, mas outras pessoas preferiram roupas mais discretas. A massoterapeuta Flávia de Oliveira, 19 anos, se vestiu de coelha. Mesmo animada com a festa, ela percebeu um pouco de tristeza por parte dos participantes. "Eu senti que as pessoas estão um pouco desanimadas, mas eu vim preparada para bastante alegria e para espantar esse clima de tristeza", comenta.
As amigas Fabiani Moreira, 35 anos, e Suelen Rocha, 27 anos, também perceberam que o número de foliões diminuiu em relação ao domingo em que aconteceu o confronto com os policiais. "Na semana passada eu vi muito mais famílias e crianças. Acho que o que aconteceu espantou muita gente", opina Fabiani. Mas as curitibanas não se sentiram intimidadas por causa do episódio e preferiram celebrar a paz, vestidas de branco e com bandana na cabeça.
Interatividade
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