
Morretes viveu um fim de semana diferente. As pacatas ruas do município receberam entre sábado e domingo a entusiasmada companhia de mil motociclistas de diversos pontos do Brasil.
O que levou a turma à cidade foi o aniversário do Giramundus Motoclube, de Curitiba, que desde o ano passado faz seus festejos no Litoral. "A verdade é que já entramos para o circuito cultural de Morretes, que é um local muito receptivo e adequado para esse tipo de evento", explica o diretor do Giramundus, Paulo Roberto dos Santos, o Payakan.
A festa foi no Recanto Nova Itália, uma chácara cujo acesso passa pela cidade, o que tornou as principais ruas de Morretes uma passarela de diferentes motocicletas. Algumas máquinas se destacavam pela originalidade, como o triciclo com traseira de fusca criado pelo vigilante Itamar Krueger, 39 anos. "É um equipamento mais seguro e bom para carregar malas. Minha mulher coloca tanta coisa que o próximo vai ser traseira de van", brinca.
Ainda mais sofisticado é o triciclo do aposentado Amadeu Correia, 63 anos, que tem um dragão de ferro entre os adornos. A boca lança um jato de fumaça, em analogia ao fogo cuspido pelo animal mitológico. "Minha máquina já foi até capa de revista argentina", orgulha-se.
Histórias do asfalto
Quando não estão reunidos em encontros, os apaixonados pelo motociclismo gostam mesmo é de se aventurar pela estrada. O empresário Waldenyr da Silva Stamato, o Baixinho, 60 anos, é perito no assunto. Na companhia da esposa, Sônia, já rodou por boa parte do país. A viagem mais longa foi de dez mil quilômetros ida e volta. "Saímos de Paranaguá, fomos até Natal (RN) e interior no Nordeste, 26 dias viajando."
Essa não é a única história interessante de Baixinho. Embora ande de moto desde a juventude, o gosto pela atividade se intensificou depois dos 50 anos. "Quando meus filhos se formaram, reuni todo mundo e falei: Agora o pai vai curtir. Coloquei brincos, fiz tatuagens e comecei a viajar", revela o empresário, que preside o Motoclube Robalos Rebeldes, de Paranaguá.
Entre as muitas histórias contadas no evento, a do motoboy Cleiton Silveira, 24 anos, é um das mais admiradas. Conhecido como Papa, o jovem foi recentemente ao Chile com uma moto de 125 cilindradas. Diante da bem-sucedida experiência, o rapaz não tem planos de comprar uma moto maior. "Alguns dizem que motociclista é quem tem uma Harley-Davidson. Mentira. Motociclista de verdade é quem tem moto e sai por aí para conhecer lugares diferentes". Morretes agora também faz parte da rota.



