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Casa de praia

Pequenos serviços, grandes problemas

No litoral, refazer a pintura, aumentar alguns cômodos ou mesmo retirar a ferrugem pode ser menos simples do que parece

Joice Batista contrata Geraldo Dengler em Curitiba e o leva para Caiobá | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Joice Batista contrata Geraldo Dengler em Curitiba e o leva para Caiobá (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)

Matinhos - Nem sempre manter um imóvel no Litoral é fácil. Quando é preciso fazer a manutenção da casa de praia ou até pequenas reformas, a busca por mão-de-obra especializada demanda pesquisa e dedicação.

"Pergunto para as pessoas que moram na praia se conhecem alguém que faça o serviço. Aí vou atrás de referências, vejo as obras em que estão trabalhando, converso com os patrões e só depois contrato", diz o funcionário público Dionísio de Oliveira, que já construiu três casas no balneário de Monções, em Matinhos.

A referência anterior é sempre importante. Nas imobiliárias é comum que clientes e outros moradores busquem indicações de pessoas para serviços gerais. "Eu sempre testo em casa para só depois indicar", diz Cristiane Schmidt, corretora da Só Praias Imóveis, em Betaras, em Matinhos. "Muitos entregam panfletos pela praia, mas a gente só indica aqueles que conhece", diz Armando da Silva Filho, corretor de imóveis da imobiliária Ideal, de Praia de Leste.

Além de saber se o profissional faz um bom trabalho, é necessário haver comprometimento. "Eles marcam e não vão, fazem mal o serviço e em época de temporada cobram mais", comenta Cristiane.

A confiança da empresária Zenaide da Silva, de 61 anos, foi para o pedreiro que já havia trabalhado para cinco parentes. Quando resolveu ampliar o imóvel do Litoral, ela planejou passar poucos meses em obras. Mas o prazo se estendeu além do previsto. "Eu fiquei quase um ano sem casa. Para aumentar pouco mais de um metro da cozinha ele levou dois meses. Para fazer os quartos, outros seis", disse. Para ela, faltou planejamento do profissional. "A gente contrata e paga metade do serviço. Mas eles chegam tarde, saem cedo e o trabalho não rende. Aí ficam sem dinheiro e assumem outros compromissos", conta.

Relação de confiança

Contratempos semelhantes a professora de Educação Física Joice Batista, de 41 anos, não queria ter. Ela encontrou pela internet aquele que poderia dar conta dos pequenos serviços. Geraldo Dengler, de 42 anos, arruma portas, armários, dá conta de ferrugens e corrosões, checa fechaduras, tomadas, interruptores, lustres e chuveiros. Faz pequenos consertos porque gosta e atende Joice e outros clientes em Curitiba e no Litoral. "Posso dizer que ele é bem honesto. Sempre faz um orçamento e só depois fechamos contrato", diz a professora. A confiança é tanta que Dengler tem a liberdade de entrar sozinho no apartamento de Joice, no Litoral. "Já dei a ele a chave para ir e arrumar o que precisava. Até o síndico do condomínio já o chamou para outros serviços. Encontrar alguém como ele é coisa rara", diz.

Falta mão-de-obra

Para o profissional da construção civil Julian Polinario, de 41 anos, há 11 anos trabalhando no Litoral, há déficit de mão-de-obra nas praias. "Há poucas pessoas de confiança e, quando chega outubro, eles deixam as obras e vão para as areias trabalhar no comércio." Para ele, há também falta de informação. "Com mais divulgação não seria necessário trazer pessoas de fora para serviços na praia."

Aglaé dos Santos, de 41 anos, 14 deles vividos no Litoral, trabalha como empreiteira ao longo do ano e para na temporada de verão, quando as obras já estão concluídas. Ela confirma que há falta de profissionais capacitados. "Muitos trabalham seis meses de ajudante e depois já saem falando que são pedreiros", conta. Proprietária de uma gráfica, ela conta que no verão até quem recolhe os papéis reciclados procura outras fontes de renda. "Eles só querem saber de latinhas ou vender produtos nas praias."

Ajuda extra

Para quem não tem tanta sorte, os caminhos práticos agilizam a procura. A Agência do Trabalhador intermedeia o contrato. A Central do Profissional Autônomo (CPA) tem cadastrados 500 profissionais da área da construção civil. A maioria é de Curitiba, mas atende no Litoral. "Exigimos cópia dos documentos e comprovante de residência para cadastrá-los. Acompanhamos a execução dos serviços e sempre que o trabalho é finalizado o contratante assina um documento dizendo se o serviço foi bem feito ou não", diz Adriana Porto, gerente de atendimento da CPA Curitiba.

Serviço:

Agência do Trabalhador no Litoral.

Em Matinhos: Avenida Juscelino Kubitschek Oliveira, 500. Telefone: (41) 3453-6322. Em Guaratuba: Rua Dr João Cândido, s/n.°. Telefone: (41) 3442-6581.

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