
A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu. Os primeiros versos de "José", de Carlos Drummond de Andrade, lembram o fim da temporada? Pois é exatamente esse cenário tranquilo que atrai muitas pessoas ao Litoral mesmo depois que ela acaba. Passado o período de maior movimento, os 800 mil turistas do carnaval se transformam em 150 mil (por mês), atraídos pelo conforto de sua segunda residência nos balneários, as cidades históricas, a beleza das baías e ilhas ou até mesmo pelo turismo de aventura, atrativos disponíveis o ano todo.
Que o diga o engenheiro civil Sérgio Scheidt, 52 anos, e sua esposa, a nutricionista Jussara, 49, amantes da navegação e frequentadores de Caiobá. Os dois, que moram em Curitiba, são casados há 24 anos, mas muito antes já frequentavam as areias e as águas do Litoral paranaense. "Venho aqui desde os 6 anos de idade", conta Sérgio, que há cerca de 20 anos trocou um veleiro por uma lancha. "A lancha é mais versátil, com ela dá para para passear, pescar ou mergulhar. Já com o veleiro se sai mesmo é para velejar". O prazer de navegar por um Litoral único, formado por baías, faz com que o casal desça a Serra do Mar pelo menos duas vezes no mês. "Mesmo com chuva nós descemos. É bom para fugir da rotina, encontrar os amigos e relaxar", diz Jussara.
Outra frequentadora assídua é a empresária Danuza Schaedler, 41 anos. Ela, o marido, José Nolar Schaedler Junior, 45 anos, e os dois filhos, de 8 e 12 anos, preferem ir a Caiobá, onde têm casa, nos meses de março e abril. "Evitamos dezembro e o início de janeiro. Depois a praia fica mais tranquila, a natureza mais viva, com a água mais limpa. Os peixes e cavalos marinhos só voltam para as pedras aqui da prainha do Farol (entre as praias Brava e Mansa), depois de março", conta Danuza.
Tempo de pescaria
Se no verão as pessoas que têm barco aproveitam para passear e fazer esportes aquáticos, depois da temporada o clima torna-se perfeito para pescar. Quem diz é o presidente da Liga Paranaense de Pesca Esportiva e diretor de Náutica do Iate Clube de Guaratuba, Gilberto Antonietto. Ele e os amigos iniciam a sua "temporada" em março. No verão o rio considerado como o melhor para pesca na região, o Buguaçu, é tomado pelos jet skis. "O jeito é esperar o fim de temporada para aproveitar o lugar de outra maneira."
A turma, composta por mais de 150 dos 450 associados com barco e que efetivamente vêm nos fins de semana depois do carnaval, é um "clube do bolinha". "Nesse período as mulheres geralmente voltam para casa e nós prolongamos nossa folga", conta o aposentado e diretor de patrimônio do clube, Arnoldo Torquato, o "Sargento". Outro aposentado, Evaldo Kummer, e o empresário Nilo Sérgio Costa "engrossam" o grupo.
Um dos incentivos para a pesca é o concurso criado por Torquato, o Bata o Recorde. Já na 14ª edição, a competição consiste em pegar o maior peixe de cada espécie. "As espécies mais disputadas são o robalo flexa e o robalo peva". Em fevereiro de cada ano, antes do início de uma nova competição, os vencedores de cada espécie são mais de 42 catalogadas por Torquato são premiados.





