
Muitos moradores e comerciantes do Litoral do Paraná estão aderindo a uma tendência de decoração de paredes que utiliza a aerografia. A técnica, que é mais comum na pintura automotiva, consiste no desenho de murais com utilização de pistola e um compressor de ar. O trabalho pode deixar o local com cara de floresta, praia ou fundo do mar.
O aerografista Émerson Carlos Moura é um dos poucos artistas a exercer o trabalho no Litoral. Os principais pedidos que recebe são de pinturas de natureza, em especial relacionados a praia e detalhes marinhos. "Muitas vezes é mais fácil ter uma pintura do fundo do mar na parede de casa do que um aquário".
Moura se baseia em uma fotografia ou desenho para fazer a pintura, que começa com os traços feitos com lápis e depois com a aplicação da tinta. O aerografista afirma que o trabalho exige mais precisão do que tempo. "O mais importante é a qualidade. Por isso melhor trabalho é feito aos poucos, porque são muitos detalhes", comenta.
O interesse pelo trabalho do aerografista se espalhou também por Curitiba e fora do Paraná. Hoje, Moura tem um ateliê na cidade de São Paulo e se prepara para montar outro em Matinhos, para manter seus serviços no Litoral.
Mesmo com o sucesso que faz nas praias, Moura acredita que o trabalho merece mais visibilidade e apoio para que a aerografia tenha mais reconhecimento. "Em especial as instituições filantrópicas deveriam voltar a atenção para essa arte. Muita gente vê e nem sabe o que significa", afirma.
Fazendo escola
Com tantos anos de aerografia, Moura já formou alunos na arte, todos do Litoral do Paraná. Em média, dentro de quatro meses os alunos já se tornam, segundo o aerografista, semi-profissionais e já podem exercer a profissão com certa facilidade. "Não é um trabalho difícil e nem exige dom. Basta se interessar pela atividade. Mas o aperfeiçoamento vem com o tempo".
Porém, alguns desenhos são mais difíceis de fazer. E se engana quem acha que o mais complicado são os detalhes de um desenho que mostra o fundo do mar. Segundo Moura, um dos tipos de desenhos que exigem mais atenção são os que apresentam linhas retas. "Também são mais difíceis os trabalhos com rostos de pessoas, pois se erramos alguma parte da face ao fazer o desenho na parece, podemos perder a essência do retrato", comenta.




