
O sol e o contato com a água do mar ou de piscinas podem causar problemas de pele que, embora não sejam considerados graves, costumam incomodar e atrapalhar o melhor das férias. Pequenos cuidados, no entanto, são capazes de evitar boa parte das doenças que afetam a pele no verão.
Segundo o chefe de dermatologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Jesus Rodriguez Santamaria, muitas das patologias que se manifestam no verão são resultado do calor e do aumento do suor, além da maior concentração de pessoas em locais públicos, como praias e piscinas. "Muitas doenças são provocadas por microorganismos facilmente transmitidos pelo ambiente. É preciso tomar cuidado e usar calçados para proteger os pés, que são alvo fácil."
Um dos problemas mais comuns é a micose, doença provocada por fungos que se aproveitam da combinação entre pele úmida e calor. "Muitas vezes a pessoa tem o fungo latente e a condição climática do verão faz com que os organismos se reproduzam rapidamente", diz Santamaria. Virilha, pés e unhas costumam ser as áreas mais afetadas, mas alguns tipos de fungos podem se alojar no tórax, provocando manchas brancas conhecidas como micose de praia ou pano branco.
A primeira manifestação é uma pequena lesão vermelha, que evolui para a escamação contínua da pele e provoca muita coceira. "Além da ação do calor, a baixa imunidade e o estresse podem intensificar a manifestação", alerta o médico dermatologista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Sérgio Fonseca Tarlé.
Para evitar a doença, os especialistas recomendam que o veranista, ao sair de um banho de mar, tome uma ducha de água doce e não permaneça muito tempo com a roupa de banho molhada. Como as micoses são transmitidas com muita facilidade, deve-se evitar compartilhar toalhas e roupas com outras pessoas.
"Bichos" da areia
A areia da praia também esconde alguns inimigos, especialmente os dos pés. É o caso da larva conhecida como bicho geográfico, um parasita intestinal de cães e gatos. "Ao defecar na terra ou na areia, os ovos eliminados nas fezes transformam-se em larvas, que penetram na pele do homem causando a doença", explica Tarlé.
A transmissão acontece pelo contato: quando as pessoas pisam ou sentam em locais infestados, as larvas entram na pele e começam a "caminhada", formando desenhos que lembram o traçado de um mapa. O principal sintoma é a coceira intensa. Para prevenir a doença recomenda-se, sempre que possível, evitar o contato direto com a areia.
Apesar de ser mais comum nas áreas rurais, o bicho-do-pé um tipo de pulga que se aloja na pele para depositar seus ovos e alimentar-se de sangue também pode ser encontrado nas praias. Ele se fixa em qualquer parte do corpo, mas prefere a região próxima das unhas. "A única forma de tratar é fazendo a retirada da pulga com um agulha. O ideal é procurar um médico que faça a remoção", aconselha Santamaria. Para evitar a doença, recomenda-se o uso de calçados.



