
Matinhos - Basta uma voltinha na beira da praia em um dia de boas ondas para chegar à conclusão: o surfe é o futebol de quem nasce no Litoral. Popular entre homens e mulheres, jovens e adultos, o esporte é paixão para os veranistas e coisa muito séria para os moradores da praia. O sonho é rodar o mundo com prancha e parafina, seguindo o exemplo de outros paranaenses ilustres que despontaram no esporte.
No último sábado, dezenas desses sonhadores disputaram a final do Circuito Paranaense de Surfe, em Shangri-lá, balneário de Pontal do Paraná. Em jogo estava o título paranaense que é disputado em três etapas e uma vaga para o Super Surf, maior campeonato nacional do esporte. Gente inspirada nas histórias do tricampeão brasileiro de surfe Peterson Rosa e, mais recentemente, do bicampeão brasileiro Jihad Khodr. Ambos saíram das areias de Matinhos.
"No Litoral, é o surfe que levanta a torcida", destaca Khodr, comparando a modalidade com o esporte mais popular no Brasil, o futebol. O surfista também já sentiu na pele os desafios de quem ainda tenta se destacar. Entre eles a falta de patrocínio e a localização, fora do eixo Rio-São Paulo, principal pólo do surfe no país. O segredo, garante, é suar a camisa e treinar.
Promessa
Entre os novos rostos está o de Peterson Crisanto. O jovem de 16 anos, nascido em Matinhos, está seguindo os passos e dicas de seus conterrâneos. Desde os 4 anos ele pega ondas. Herança do pai, também surfista, que vendeu a sua única roupa de borracha para poder comprar uma prancha para o filho. "Além disso, tem a influência de toda a galera da praia, que gosta de surfar. Por isso o nosso esporte desde criança é o surfe", diz.
Apesar da pouca idade, Crisanto já é experiente. Neste ano se profissionalizou e já coleciona bons resultados. "Fui vice-campeão mundial (categoria amadora, até 16 anos), lá na França, e fui campeão brasileiro (também categoria juvenil amadora)", diz. Trocar o surfe? Nem pensar. O jovem garante que pretende seguir com o esporte. "O contato com a água é muito bom. Você relaxa, descansa, entra em contato com a natureza", diz.
Levado a sério
Também morador de Matinhos, Alex Lima é outro que pretende viver do esporte. O atleta de 28 anos de idade surfa desde criança. Lima tem sonhos parecidos com os de Cristiano. Para isso, a sua rotina é sempre a mesma: acordar cedo para um aquecimento e cair no mar. O sonho é alcançar o êxito de seus conterrâneos ilustres. Até agora, já levou várias competições. Foi nove vezes campeão paranaense amador e campeão catarinense profissional.
A última conquista foi a segunda colocação no circuito paranaense profissional de surfe, que terminou no último sábado. "Foi uma prata com sabor de ouro, pois estava havia dois anos parado devido a uma lesão no joelho", conta.




