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Comportamento

Tá tudo dominado

Para veranistas paranaenses, Barra Velha e Itapoá estão no mapa de Santa Catarina por acaso. Os dois balneários contabilizam a olhos vistos a presença dos vizinhos

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Litoral recortado, água mais quente e infraestrutura são destaques de Itapoá |

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Litoral recortado, água mais quente e infraestrutura são destaques de Itapoá

Os curitibanos Gustavo Arnold, Sami Omairi, Eduardo Schwitzner, Daniele Castilios, Luciana e Guilherme Arnold em Barra Velha |

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Os curitibanos Gustavo Arnold, Sami Omairi, Eduardo Schwitzner, Daniele Castilios, Luciana e Guilherme Arnold em Barra Velha

Com os veranistas paranaenses que invadem Barra Velha, a população quase triplica na temporada |

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Com os veranistas paranaenses que invadem Barra Velha, a população quase triplica na temporada

Eles invadiram a sua praia. Ou seria a praia do vizinho? O fato é que alguns paranaenses recorrem, todos os anos, às areias do litoral Norte de Santa Catarina. E ao invés de Caiobá e Guaratuba, famílias de Maringá, Curitiba e Londrina rodam alguns quilômetros a mais para passar a temporada em Barra Velha e Itapoá.

Ninguém sabe ao certo quando este êxodo de veranistas paranaenses para as praias catarinenses começou. Itapoá, por exemplo, consta no mapa como a primeira praia de Santa Catarina, mas para alguns, ela é considerada o último balneário do Paraná.

E não é difícil entender. Circulando pelas ruas da cidade ou pelos seus 32 quilômetros de praia, a presença paranaense consta nas placas dos carros, nas camisas ou toalhas dos times e no sotaque dos veranistas. A maior prova dessa invasão, baseada nos dados do IPTU de Itapoá, é que 86% dos imóveis na cidade são de paranaenses – a maioria de curitibanos. O outro tanto é quase que preenchido por paranaenses que alugam imóveis para passar a temporada. A população de 11 mil habitantes do balneário triplica na temporada.

De acordo com o prefeito de Itapoá, que morou muitos anos em Cascavel, no Oeste do Paraná, Ervino Sperandio, os paranaenses contribuem com a economia da cidade com o pagamento do IPTU e, durante a temporada, com o turismo. "Não é o motor da cidade, mas eles contribuem muito para economia de Itapoá. O veranista que constrói aqui tem grande importância para nós", diz.

As praias de Barra Velha – com cerca de 10 quilômetros de extensão –, são outra opção. Apesar de atrair um número menor de veranistas em relação a Itapoá, na temporada, os paranaenses ajudam a triplicar a população de 22 mil habitantes. De acordo com a diretora de Turismo do município, Selma Soares, quem vem do Paraná não é a principal fonte de recursos, entretanto, tem uma participação relevante na economia local. "Um exemplo disso é a Festa do Pirão, que realizamos todos os anos. Em média, 40 mil turistas vindos do Paraná comparecem ao evento. Fora os hotéis e restaurantes que ficam lotados", afirma.

Questão de escolha

Para os veranistas paranaenses a escolha por Santa Catarina não tem muito mistério. A praia, na opinião deles, é melhor, mais estruturada e, como bônus, o sossego ainda reina por lá.

Outro motivo listado pelos veranistas são as estradas. No caso de Itapoá, os acessos à cidade, via BR-101 e Garuva ou pela Vila da Glória, via Joinville, são bem estruturados. Já para ir de Curitiba a Barra Velha, também pela BR-101, o paranaense paga apenas R$ 1,20 de pedágio. Bem menos que os R$ 13,30 que teria de desembolsar para ir até Matinhos ou Guaratuba.

A geografia também agrada. Barra Velha, por exemplo, está a 170 quilômetros de Curitiba e de Florianópolis, mas a menos de 50 quilômetros das cidades turísticas Blumenau, Brusque, Jaraguá do Sul, Itajaí e Joinville.

Os curitibanos Sami Omairi, 34 anos, Gustavo Arnold, 34 anos, e Guilherme Arnold, 26 anos, até poderiam ir para Caiobá, já que têm apartamento por lá, mas a praia e o sossego de Barra Velha os fisgou. "Não tem comparação, prefiro Santa Catarina", diz Guilherme.O empresário de Curitiba, Arci Poffo, 72 anos, tinha dois terrenos em Guaratuba em 1989, quando optou por construir a casa de veraneio em Barra Velha. "Este lugar é um paraíso. Para quem quer passar uma temporada sem se preocupar com nada, não tem coisa melhor. As praias do Paraná são bem mais agitadas", explica.

O morador de Rio Negro, no Sul do Paraná, Juliano Buzinello, 33 anos, diz nunca ter ouvido falar na história de que o Paraná teria interesse de incorporar Itapoá ao seu território e ceder, em troca, Rio Negro a Santa Catarina. Mas ele afirma não se opor. "Seja de qual estado for, estaremos aqui", diz.

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