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Saúde

Verba não normaliza cirurgias no HC

MEC libera R$ 700 mil para o Hospital de Clínicas, mas crise financeira ainda restringe atendimento

O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) continuará com as cirurgias eletivas (não urgentes) suspensas, apesar do anúncio da liberação de R$ 700 mil, feito ontem à tarde pelo Ministério da Educação (MEC). Os recursos serão suficientes apenas para que o hospital consiga restabelecer o estoque de alguns medicamentos e materiais essenciais e, assim, realizar cirurgias de urgência e emergência. A previsão é de que os procedimentos eletivos só voltem a ser feitos no ano que vem.

A administração do HC irá se reunir hoje com representantes da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba para discutir o quadro atual do hospital. "O HC é o maior hospital público da capital e tem um impacto no sistema público de saúde", afirma a diretora de assistência do HC, Mariângela Honório Pedroso. Segundo ela, seriam necessários R$ 3,5 milhões a mais para o hospital superar a crise.

Socorro financeiro

Há quase um mês, o hospital vinha tentando a liberação da verba para a aquisição de medicamentos e materiais cirúrgicos. O dinheiro é proveniente de recursos próprios, mas precisa ser enquadrado no orçamento do ministério para ser utilizado. A liberação orçamentária ocorreu depois do reitor da UFPR, Carlos Augusto Moreira Júnior, ter negociado com a Secretaria de Planejamento e Orçamento do MEC. "A ordem de liberação já está no sistema e com isso o hospital já pode fazer o pedido de compra", disse o reitor. Entretanto, mesmo com o processo de empenho encaminhado, a entrega dos pedidos deve levar aproximadamente cinco dias, período em que as cirurgias de urgência e emergência também ficam ameaçadas.

Sem analgésicos, fios de sutura e medicação para pós-operatório, nas últimas semanas, centenas de procedimentos foram cancelados. A média diária de cirurgias realizadas no HC caiu de 35 a 40 para nove. Desde o dia 19 de outubro, quando o hospital passou a atender apenas casos de urgência e emergência, cerca de 260 cirurgias eletivas deixaram de ser feitas.

Pacientes que tinham cirurgias marcadas não foram internados e outros sequer chegaram a ser avisados de que seriam os próximos a serem operados. "Os pacientes que estão esperando há muito tempo na fila não vão ser chamados agora e, quando forem, já haverá outros esperando", lamenta Mariângela. A diretora de assistência do HC conta que dos procedimentos eletivos, a cirurgia bariátrica (para redução do estômago) é uma das que tem o maior tempo de espera: cerca de cinco anos. Segundo Mariângela, o hospital ainda não definiu como irá proceder quando as cirurgias que estavam agendadas voltarem a ser feitas.

A crise já afetou também outras atividades do hospital. O setor de endocrinologia está há pelo menos dois meses sem fazer exames de dosagem hormonal. Desde setembro, os ambulatórios fazem apenas coletas imprescindíveis para decisões médicas. As amostras colhidas estão sendo armazenadas ou, nos casos emergenciais, levadas a outro hospital para análise. No setor de raio X, a falta de insumos como revelador e filme também prejudica o diagnóstico e acompanhamento de pacientes. Na farmácia do hospital, faltam desde medicamentos básicos como analgésicos e antitérmicos até medicamentos de alto custo.

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