Assim como ocorre em Curitiba, trabalhadores vindos de várias partes do Brasil chegam a outras cidades do interior do Paraná para atuar na construção civil. Contudo, em Maringá, por exemplo, dificilmente eles se fixam na cidade. A estada costuma ser de até 90 dias, tempo médio para a conclusão das obras para as quais foram contratados. Depois disso, arrumam as malas e partem para outra localidade, onde construtoras e empresários procuram mão de obra. Uma vida de nômade.
Antonio de Lisboa, 38 anos, tem essa rotina há 17 anos. Uma exceção, ele diz, já que a maioria não aguenta o ritmo por mais de um ano. Maranhense de Cotó, ele perdeu as contas de quantas construções ajudou a levantar. Foi e voltou várias vezes de oito cidades, quase todas capitais. Em Maringá, Lisboa está pela segunda vez, há três semanas.
Ele não é o único que veio de longe para trabalhar na obra. Com Lisboa estão outros 13 maranhenses, que também aprenderam o ofício sem curso superior, atentando-se às lições daqueles que tinham mais experiência. Para ele, não importa se a cidade onde está é diferente daquela onde vive, desde que consiga juntar dinheiro para enviar para os familiares.
Para Lisboa, o maior empecilho, que já fez com que pensasse várias vezes em deixar de lado a rotina de trabalhador viajante, é a saudade da família. "Ligo para minha mulher e para meus filhos até três vezes por dia, mas não existe nada que substitua o contato físico", comenta. "Costumo voltar para casa a cada três meses para vê-los."
Até 1994, Lisboa trabalhava com agricultura, mas não conseguia juntar dinheiro. A mudança de rumo aconteceu quando ele recebeu convite para ajudar em uma construção em São Paulo. Apesar das constantes mudanças, ele não pensa em trocar Cotó por nada. "A nossa terra é a nossa terra."



