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MOBILIZAÇÃO

Vidas e bateias secas às margens do Rio Tibagi

Garimpeiros que tiveram de desocupar área para a construção da Usina Hidrelétrica de Mauá lutam para conseguir indenização

Francisco dos Santos, morador de Telêmaco Borba: sem uso, instrumento usado no garimpo foi abandonado na casa | Francisco Davi dos Santos/JT
Francisco dos Santos, morador de Telêmaco Borba: sem uso, instrumento usado no garimpo foi abandonado na casa (Foto: Francisco Davi dos Santos/JT)

"Tive que vender até minha aliança para colocar comida em casa". A fala emocionada é do garimpeiro Francisco Davi Lopes dos Santos, 60 anos, que teve de desocupar a área em que trabalhava para dar lugar à construção da Usina Hidrelétrica de Mauá, no Rio Tibagi, entre os municípios de Telêmaco Borba e Ortigueira. Ele faz parte de um grupo de 130 profissionais do garimpo que luta para receber a indenização da empresa responsável pela construção, Consórcio Cruzeiro do Sul.

Cinco anos depois de desocupar a área, Davi e muitos colegas de profissão afirmam que não têm mais uma forma de sustentar suas famílias. Os garimpeiros acusam o Consórcio de não cumprir as promessas feitas à época da construção.

Segundo os mineradores, o acordo previa que eles receberiam entre R$ 7 mil e R$ 11 mil reais para desocupar a área, além de cursos profissionalizantes e cestas básicas. "Nada do que prometeram foi cumprido até agora", denuncia Mônica Raquel Demiciano, 36 anos.

Casada com o garimpeiro Reinaldo Ferreira da Silva, 41 anos, ela viu o marido sair de casa para fazer bicos em Curitiba na tentativa de sustentar os quatro filhos. Mônica diz que o abandono do garimpo foi um baque para a família. O casal se mudou de uma casa alugada em Telêmaco Borba para uma residência de madeira que fica nos fundos da casa da mãe de Mônica, na Vila Rural Brilho do Sol. Mesmo assim, logo se endividaram com as contas do mês. "Tive que vender minha geladeira, que comprei por mais de mil reais, por R$200, para pagar conta de água e de luz", diz ela.

Negociação

Os garimpeiros locais afirmam que já tentaram negociar um valor para a indenização com o consórcio várias vezes, mas todas as tentativas falharam. Eles pedem três salários mínimos, durante cinco anos, como forma de compensar todos os prejuízos. "Nós nunca mais poderemos voltar a garimpar naquela área. O garimpo acabou para nós e, mesmo assim, não recebemos o que temos direito", reclama Gilvan Pereira da Silva, representante dos Garimpeiros Atingidos pela Usina Mauá.

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