Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Morte da advogada

Vingança pode ter motivado crime

Kátia: defensora das mulheres | Divulgação
Kátia: defensora das mulheres (Foto: Divulgação)

"A Kátia morreu lutando por Justiça, defendendo os clientes dela". A frase dita por uma das melhores amigas da advogada Kátia Regina Leite Ferraz, morta na manhã da última quarta-feira quando saía de casa, no bairro Boa Vista, em Curitiba, resume o sentimento de familiares e amigos. As pessoas mais próximas da advogada acreditam que ela foi vítima de uma execução em razão da profissão que exercia.

Durante a maior parte da carreira, Kátia atuou na área de direito da família e passou a atender mulheres agredidas pelos maridos. "Ela cuidava de alguns casos relacionados com a Lei Maria da Penha e, naturalmente, alguns maridos acusados de agredir as esposas ficavam insatisfeitos com o trabalho dela", diz Isabel Cecília Mendes, amiga da vítima há mais de 25 anos. Ela afirma que a advogada vinha recebendo ameaças de duas pessoas. "Ela sempre foi muito corajosa. Acho que não acreditou que poderia sofrer alguma coisa", conta.

A polícia não confirma esta relação do crime com a profissão da mulher. O delegado chefe da Delegacia de Homicídios, Hamilton da Paz, diz que o crime está em investigação. Segundo ele, diversas testemunhas foram ouvidas e fatos ligados à vida profissional e pessoal dela estão sendo analisados. Paz desmente a informação de que o ex-marido de uma cliente seria o principal suspeito pelo crime. "Sabemos que ela foi executada, mas ainda não há como apontar uma motivação específica para o homicídio. Existem diversas possibilidades", relata o advogado.

Apaixonada pela profissão

Kátia Ferraz trabalhava como advogada há mais de 20 anos. Além de comandar um escritório particular, ela chefiou por cerca de dez anos o setor jurídico do Conselho da Constituição Feminina da Prefeitura de Curitiba. Também foi secretária-geral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na capital entre 1998 e 2001. Há pouco mais de um mês havia sido aprovada em um concurso para trabalhar na Paranáprevidência.

A advogada se formou em 1986 e, segundo amigas, sempre se mostrou uma apaixonada pela profissão. "Ela entrou com 16 anos na faculdade e com 20 já estava formada. Sempre foi a mais nova da turma e ajudava todos os colegas", conta Isabel Mendes, amiga de Kátia.

Desde o ano 2000, a advogada lutava contra a esclerose múltipla. "Ela não escondia a doença de ninguém. Apesar das dificuldades, a Kátia sempre foi muito positiva e nunca deixou de comparecer a uma audiência. Ela chegou a ficar bem mal, mas de uns anos para cá vinha melhorando muito", diz Isabel.

Kátia se divorciou há cerca de 15 anos e, atualmente, estava em uma união estável e morava em um condomínio no Boa Vista. O enterro da advogada foi realizado na tarde de ontem no Cemi­­tério Parque Jardim da Saudade. Ela deixa três filhos: de 17, 20 e 21 anos. Um deles está cursando a faculdade de Direito.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.