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Memória

Vinte e cinco anos sem as Sete Quedas

Guaíra ainda lamenta o fim do conjunto de saltos d’água que já foi a maior atração turística da região

Sting: sem dom para as rimas | Arquivo Gazeta do Povo
Sting: sem dom para as rimas (Foto: Arquivo Gazeta do Povo)

Guaíra – O afogamento das cataratas que ficaram mundialmente conhecidas como Sete Quedas, no Rio Paraná em Guaíra, Oeste do estado, completou 25 anos ontem. O conjunto de saltos d’água de até 90 metros de altura – que já foi a maior atração turística da região – está submerso desde a formação do Lago de Itaipu em 1982. Uma exposição de fotos, até o dia 20 de outubro, no Centro Náutico de Guaíra lembra a data e resgata um pouco da história que a geração mais nova não presenciou.

Segundo a Secretaria Municipal de Turismo, nos meses que antecederam a extinção do Parque Nacional de Sete Quedas, a população de Guaíra – que era de 32 mil pessoas e hoje é de 28,6 mil – praticamente dobrava nos feriados e fins de semana. Além das sete quedas maiores, existiam outras 11 quedas e um total de 19 saltos. Na maioria deles, havia ponte pênsil para o visitante curtir as belezas bem de perto.

O comerciante Paulinho Dilda, o Paulinho Jangada, mantém hoje o mesmo restaurante que possui desde 1974 na cidade. Apenas o fluxo de turista mudou. Ele disse que no auge das Sete Quedas servia mais de 300 refeições por dia. Começava a atender aos clientes às 10 horas e só terminava no meio da tarde. "Algumas excursões de São Paulo, Minas Gerais e Bahia agendavam antes para não ficar sem comida." Depois de alguns anos de movimento fraco, ele afirma que a clientela está voltando aos poucos. Dos 12 restaurantes da época, quatro ainda funcionam no local.

Guaíra, assim como outros 15 municípios que perderam parte de seus territórios com a formação do Lago de Itaipu, foram compensados. A partir de 1991, quando a 18.ª turbina começou a funcionar, a hidrelétrica passou a pagar royalties proporcionais à área alagada de cada um, garantindo às prefeituras um razoável caixa extra. Incluindo os recursos repassados ao estado do Paraná e ao governo federal, o volume passa de R$ 6 bilhões.

A 170 quilômetros da usina, Guaíra é o sexto município que mais recebe royalties – são US$ 199 mil por mês, cerca de US$ 45 milhões nos últimos 16 anos. Mas a cidade se ressente até hoje de ter perdido o que considerava seu maior patrimônio.

Para Sebastião Cláudio Santana, ex-presidente e atual diretor da Associação Comercial da cidade, Guaíra conseguiu "sobreviver" após o fim das cataratas, mas com uma auto-estima abalada.

Em troca dos danos ambientais e econômicos, Guaíra ganhou um Centro Náutico, além dos royalties. O dinheiro pago pela Itaipu representa 25% da receita do município.

Segundo o prefeito Fabian Vendrusculo (PT), a cidade vive um clima de otimismo com novas obras e melhoria na infra-estrutura urbana e rural. E aposta no crescimento do turismo por causa dos pontos históricos, os passeios no Rio Paraná e parque nacional de Ilha Grande, além das opções de compras em Salto del Guayrá, no Paraguai.

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