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Qualidade de vida

Visão calibrada garante autonomia

Exames preventivos ajudam a detectar problemas oftalmológicos que comprometem a rotina de idosos

Elisabeth Alvivi, 63 anos: óculos aposentados depois da cirurgia de catarata | Marcelo Elias/Gazeta do Povo
Elisabeth Alvivi, 63 anos: óculos aposentados depois da cirurgia de catarata (Foto: Marcelo Elias/Gazeta do Povo)
Confira algumas doenças oculares que podem levar à cegueira |

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Confira algumas doenças oculares que podem levar à cegueira

O braço vai esticando na proporção da passagem das folhas do calendário, afastando o texto dos olhos, até acertar o foco. A cada ano, a leitura se torna mais difícil. Até que o braço fica curto, e o jeito é procurar o oftalmologista. "Muitas vezes, é a chance que o médico tem para fazer os exames preventivos mais importantes para garantir uma boa saúde ocular do paciente para a terceira idade", explica a médica Tânia Schaefer, presidente da Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria (Soblec).

A presbiopia – dificuldade de enxergar de perto – é apenas uma das doenças oftalmológicas que estão relacionadas ao envelhecimento. Não leva à cegueira, mas pode ser limitante de atividades rotineiras. É facilmente corrigida com uso de óculos, lentes ou até mesmo a cirurgia. A preocupação das sociedades médicas da especialidade é com os outros quatro males oculares que a idade pode trazer ao indivíduo: catarata, glaucoma, degeneração macular e retinopatia diabética.

No Dia Mundial da Visão, co­­memorado hoje, segunda quinta-feira do mês de outubro, médicos oftalmologistas chamam a atenção da sociedade e do poder público para a necessidade dos exames preventivos, que podem reduzir o número de pacientes com cegueiras reversíveis ou de baixa visão. O objetivo é frear a projeção da Organização Mundial de Saúde (OMS), que prevê 75 milhões de pessoas cegas e 225 milhões com dificuldades visuais até 2020. Estudos mostram que 75% dos casos de cegueira e baixa visão são evitáveis e/ou reversíveis.

Acesso

Um dos planos de contingência é melhorar o acesso da população à especialidade. A demora no atendimento e para iniciar o tratamento jogam a favor da evolução das doenças oculares. Falta médico especialista na saúde pública, mas o país é um dos mais bem posicionados no número de profissionais formados. No Brasil, os 14 mil médicos oftalmologistas atuantes já garantem uma proporção de profissional por paciente acima do que é preconizado pela OMS: 1 para cada 13 mil habitantes, contra os 1 a cada 20 mil indicados pela entidade internacional. E a cada ano mais 900 entram no mercado. "Não faltam médicos, falta readequação do sistema. Planos de carreira, equipamentos, tecnologias disponíveis e a interiorização do atendimento já ajudariam", explica o médico Hamilton Moreira, ex-presidente do Con­selho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

Outra proposta é readequar o Projeto Catarata, que chegou a realizar 400 mil cirurgias por ano em esquemas de mutirão. A média anual de operações hoje é de 280 mil procedimentos feitos pelo SUS. "Há demanda para fazermos o dobro dessas cirurgias e acompanharmos o crescimento vegetativo da população", observa Moreira.

Os mutirões cirúrgicos foram modificados pelo Ministério da Saúde (MS). A falta de atendimento adequado no pós-operatório foi a principal razão para redução do volume de operações. O MS criou então a Política Nacional de Atenção à Oftalmologia, em maio do ano passado. A ideia é fazer um levantamento dos centros de atendimento e criar as categorias de referência: básica, secundária e cirúrgica. E a partir daí, treinar os profissionais para melhorar a triagem dos pacientes. "Casos de atenção básica podem receber tratamento nos locais de origem. O prefeito não precisa mandar para a capital um paciente com conjutivite e um com glaucoma no mesmo ônibus. Isso reduz a fila das consultas e procedimentos especializados, que demandam mais recursos e investimentos", explica o médico. Mas a classificação das unidades de saúde não está no ritmo desejado pelos profissionais. "É preciso acelerar essa fase para iniciar o processo de treinamento e garantir o acesso."

Reforçar a atenção primária é desviar o paciente de um penoso caminho. O diagnóstico precoce leva a tratamentos mais baratos e eficientes em diversas especialidades médicas. Com os olhos, não é diferente. No caso do paciente idoso, evitar a perda da visão ou reduzir os danos em doenças controláveis ajuda a garantir autonomia e qualidade de vida. Muitas vezes, é fundamental para esticar a fase produtiva do indivíduo. "Em outros casos, os exames oftálmicos periódicos ajudam a diagnosticar doenças degenerativas associadas, como a retinopatia diabética. O histórico de saúde visual do paciente levanta suspeita de que a dificuldade para enxergar pode estar ligada a outra doença. Essa investigação pode ajudar a identificar diabete, doenças reumáticas e infecciosas", lembra Tânia.

Rotina

O controle minucioso da saúde dos olhos da técnica em contabilidade aposentada Elisabeth Scheffer Alvivi, de 63 anos, permitiu o tratamento cirúrgico da catarata diagnosticada há pouco mais de um ano. "Sem­pre usei óculos por causa da presbiopia. Meus exames são semestrais. Quando a catarata foi identificada, fiz o tratamento clínico por quase um ano, até optar pelo implante de lentes. Ganhei mais qualidade de vida", diz.

O marido de Elisabeth também evitou a perda da visão com o acompanhamento da evolução da catarata. Os exames preventivos são rotina na família. "Quem se gosta, se cuida", diz.

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