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Comportamento

A nova cara da política estudantil

Grupo de oposição compartilha gestão na UPE com a missão de aumentar a participação dos alunos, especialmente os universitários

Mounir, Helio, Thiago e Manuel, do movimento Oxigênio | Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
Mounir, Helio, Thiago e Manuel, do movimento Oxigênio (Foto: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo)
Conheça as cinco concorrentes que compõem a chapa de direção da UPE |

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Conheça as cinco concorrentes que compõem a chapa de direção da UPE

Veja que política estudantil não entusiasma universitários |

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Veja que política estudantil não entusiasma universitários

Os grupos de esquerda, que historicamente sempre estiveram à frente do movimento estudantil, estão tendo de conviver com uma nova realidade: após quase dez anos sem oposição, a direção da União dos Paranaenses dos Es­­tudantes (UPE) está sendo compartilhada com colegas mais à direita do espectro político.

Formado recentemente por representantes dos diretórios centrais dos estudantes da Centro Universitário (FAE), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e Centro Universitário Curitiba (Unicuritiba), o movimento Oxigênio obteve votos suficientes para conquistar duas cadeiras na direção estadual – a 2.ª vice-presidência, ocupada por Thiago Chemin Rosenmann, e a direção de Relações Institucionais, por Caio Pamplona.

O grupo se declara suprapartidário, e entre os integrantes há também filiados ao PSDB e ao DEM. "Existem estudantes que não são filiados a partidos no nosso movimento, mas o mais importante é querer trabalhar em favor dos estudantes", afirma o vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unicuritiba, Manuel Fanego (DEM). "Agora, em geral, por causa de nossas ideias, partidos de esquerda acabam não aderindo."

O grupo tem entre suas bandeiras a transparência na gestão das contas dos diretórios estudantis, o incentivo ao empreendedorismo, a promoção de atividades na área social e busca de melhorias nas universidades.

Segundo Helio Belfort (DEM), tesoureiro do DCE da Unicuritiba, a intenção do Oxigênio é reaproximar o movimento estudantil dos alunos. "Nossas ações são voltadas para os estudantes. Hoje, um aluno pode passar a faculdade inteira sem conhecer o movimento estudantil sabendo que não vai perder nada. Isso porque a grande maioria não se sente representada", explica. "Nós queremos mudar esse quadro. Hoje o pessoal não sabe o que é a UNE e a UPE. E isso é culpa dos DCEs."

Para o presidente do DCE da FAE, Mounir Chaowiche Júnior (PSDB), os estudantes passam a se aproximar do movimento estudantil quando veem os benefícios que o diretório proporciona. "Buscamos focar nas atividades de extensão. Rea­lizamos visitas técnicas. Assim, os estudantes ficam mais à vontade para participar."

As tentativas, porém, não trazem resultados imediatos. Para Chaowiche, os estudantes são bastante individualistas e voltam suas atenções para objetivos pessoais. "O comportamento é curioso. Quando divulgamos no site fotos de festas o acesso ao site é muito grande. Mas o mesmo não acontece na seção em que estão as prestações de contas". Para ele, isso é um indicativo de como os estudantes se comportarão quando adultos.

Poder compartilhado

Os cargos na direção da UPE são preenchidos de forma proporcional à votação obtida pelas chapas que se candidatam. A eleição é indireta. Votam somente representantes eleitos pelos estudantes.

Dos dez cargos da diretoria da UPE, quatro são ocupados por estudantes vinculados à União da Juventude Socialista. Outros três grupos – Juventude e Revolução, Movimento Mudança e Quizomba – ocupam um cargo cada na diretoria (veja quadro). Um único membro da diretoria, o vice-presidente Bohdan Metchko Filho, não integra nenhuma dessas correntes do movimento estudantil.

O presidente da UPE, Paulo Moreira da Rosa Junior, diz considerar pertinente as críticas que são feitas a respeito das dificuldades de fazer com que os estudantes tenham uma maior adesão ao movimento estudantil. "O perfil hoje é muito diferente de antigamente, do estudante revolucionário. Você precisa falar de mudanças que afetem o cotidiano dos alunos". Na avaliação de Paulo da Rosa, porém, há momentos históricos que tornam mais fácil mobilizar os estudantes. "Aqui no Paraná, por exemplo, isso ocorreu há alguns anos, contra a venda da Copel."

Segundo ele, hoje, uma das discussões na UPE passa por buscar soluções para uma maior aproximação com os estudantes. "Na década de 1960, o movimento estaduantil tinha um inimigo claro. Hoje, você tem espaços de diálogo no Estado brasileiro. Além de manter as mobilizações de rua."

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