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A desenvoltura com que o petista Tião Viana (AC) assumiu a presidência do Senado já provoca ciumeira na Casa e, principalmente, entre aliados do presidente licenciado Renan Calheiros (PMDB-AL). Embora a licença de Renan seja de apenas 45 dias e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tenha sinalizado que a vaga é do PMDB, caso o titular não volte, algumas atitudes de Tião Viana deixam os peemedebistas desconfiados de que ele alimenta, no fundo, pretensões de permanecer no cargo. Especialmente seu esforço em estreitar relações com a oposição, que junto com o PT poderiam lhe assegurar os votos necessários para se eleger.

- Nunca vi uma interinidade com tantos atos de eternidade - reclamava ontem um renanzista.

Aliados de Renan reclamam da pressão, ainda que discreta, para Renan deixar a residência oficial do Senado, embora não tenha renunciado ao cargo.

- Estudei a interinidade do Edison Lobão (PMDB-MA), que assumiu a presidência o interinamente depois da renúncia de Jader Barbalho. Durante 60 dias ele conduziu tudo de seu gabinete, sem mudar nada nem ninguém, sem ocupar o gabiente da presidência para despachar. Não teve esse negócio de casa, carro, nada. Agora nesta interinidade está tudo diferente. Mas cada um tem seu jeito de ser né? - observou o senador Wellington Salgado (PMDB-MG).

Os renanzistas se queixam também da rapidez com que o petista mandou fazer um levantamento dos principais cargos da presidência, e aceitou a demissão de dois assessores de imprensa de Renan. Há a suspeita de que Tião estaria propenso a desalojar inclusive os funcionários mantidos por Renan a pedido do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). A relação da família Viana com Sarney nunca foi muito boa. Na última eleição o então governador do Acre, Jorge Viana, desembarcou em Macapá para fazer campanha para Maria Cristina do Rosário Almeida, do PSB, que ameaçou a reeleição de Sarney.

Também surpreendeu a falta de delicadeza do presidente interino em despachar para o gabinete de apoio de Renan seus objetos pessoais, como escova de dentes e de cabelo, numa sacola de supermercado que foi deixada na porta, mesmo com a sala estando fechada. Tião defendeu-se ontem alegando que também teria sido surpreendido com essa notícia.

- Fiquei surpreso. Vi pela imprensa. Encontrei um gabinete arrumado e cumpro o que qualquer cidadão cumpre. Quando o presidente Lula viaja, o vice atende no gabinete dele. Quando um governador viaja, o vice atende no gabinete dele. É isso que estou fazendo. Apenas isso - salientou.

Sobre rumores de que estaria trabalhando para ficar no comando do Senado, disse:

- Qualquer impulso sucessório é prejudicial ao ambiente político, a boa negociação, ao encaminhamento da CPMF, matérias de transparência e a um julgamento isento e imparcial diante dos casos pendentes no Conselho de Ética.

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