O programa do PSDB que vai ao ar na noite desta quinta-feira (18) em rede nacional de TV faz uma crítica à condução da economia, à falta de investimentos em infraestrutura, às obras federais paradas e ao "paternalismo'' dos governos do PT. Aécio Neves é o único protagonista do programa, o que mostra que o discurso segundo o qual o partido poderia realizar prévias para escolher o candidato à Presidência não condiz com a realidade do tucanato hoje.
O mineiro faz um aceno ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, único dos governantes tucanos citados como bom gestor, cuja experiência nas escolas técnicas é mostrada como exemplo.
O programa, realizado pelos marqueteiros Renato Pereira e Chico Mendez, da Prole, segue a fórmula usada no primeiro semestre, de "conversa com os brasileiros". De ônibus, Aécio viaja ao interior do Ceará, a Campina Grande, ao interior de Mato Grosso e à capital paulista para falar com personagens que enfocam críticas ao governo Dilma Rousseff.
A feirante de Campina Grande reclama do preço dos alimentos, que reduziu seu lucro. O sertanejo mostra as obras inacabadas da transposição do rio São Francisco e diz que perdeu a esperança de que seus netos vejam uma solução para a seca no Nordeste. Os grandes agricultores matogrossenses se queixam da dificuldade de escoar a produção, que bate recordes.
Nesse ponto, Aécio faz uma ironia com um dos slogans do marqueteiro João Santana, que costuma usar nas propagandas petistas a ideia de que a vida das pessoas mudou "da porta de casa para dentro" nos governos do PT, mas precisaria mudar da porta para fora.
Aécio diz aos ruralistas que "da porteira para dentro" o Brasil bate recordes de produção, mas da porteira para fora há problemas de logística que impedem o crescimento da agricultura.
O mote usado nas inserções partidárias, segundo o qual "quem muda o Brasil é você", permeia tanto as histórias dos personagens quanto o discurso do presidenciável tucano, que, em conversa com jovens da periferia paulistana em que são abordadas as manifestações de junho, diz que tem uma visão diferente do PT sobre o papel do Estado. "Tenho uma visão menos paternalista que essa que está aí", diz ele. Para o tucano, o Estado tem de dar "condições" para as pessoas empreenderem, ser "parceiro", numa crítica indireta ao assistencialismo de programas como o Bolsa-Família.



