Um ano depois de enfrentar uma maratona carnavalesca em que se esforçou para aparecer, a presidente Dilma Rousseff preferiu o isolamento no carnaval deste ano. Na tentativa de manter a privacidade, Dilma determinou que militares e eventuais prestadores de serviço que tenham acesso ao Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, onde está hospedada desde a noite de sexta-feira, em Parnamirim (RN), sejam proibidos de portar qualquer tipo de máquina fotográfica. O objetivo é evitar registros do período de descanso da presidente com sua família. Acompanham Dilma no hotel de trânsito adaptado para recebê-la a filha, Paula Rousseff; o neto, Gabriel; e o genro, Rafael Covolo.
O carnaval privado de Dilma neste ano em nada lembra a folia de 2010. Então pré-candidata à Presidência, Dilma fez questão de aparecer em eventos públicos e ter contato com a população. O roteiro do ano passado incluiu o bloco Galo da Madrugada, no Recife; a saída do bloco-afro Ilê Ayê, em Salvador; e o desfile das escolas de samba do grupo especial, no Rio de Janeiro com direito até a alguns passos de dança na pista da Sapucaí.
Agora presidente, a postura de Dilma é outra. Todas as pessoas que chegam ao local em que ela está hospedada no Rio Grande do Norte são vistoriadas ao entrarem na área. Quem estiver com celular, tem o aparelho recolhido ou sua bateria retirada para que não possa ser usado dentro das dependências do centro. A proibição surpreendeu a servidores do local. A justificativa do governo é que a presidente Dilma está em um momento privativo e de descanso, que deve ir até amanhã.
A medida, que pretende impedir que façam alguma foto "roubada" da presidente, diverge do estilo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante seus oito anos de mandato, o ex-presidente, sempre que estava em qualquer lugar, fazia questão de tirar fotos com quem lhe pedisse.
No governo Lula, a restrição às máquinas fotográficas e celulares era imposta apenas para quem se encontrasse com o presidente em seu gabinete. Desde 2009, todas as pessoas que entravam na sala do ex-presidente no Palácio do Planalto eram obrigadas a deixar seu celular na antessala com um funcionário da Presidência, que cumpria o papel informal de "fiscal de celular". Na época, o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, encaminhou uma circular a todos os ministérios informando que qualquer autoridade que fosse falar com ele deveria deixar o celular do lado de fora. No governo Dilma, a ordem permaneceu.
Segurança
Além da restrição às máquinas fotográficas e celulares no Centro de Lançamento Barreira do Inferno, um forte esquema de segurança externa também foi montado para evitar qualquer tipo de assédio à presidente Dilma. Já nas primeiras horas da manhã de sábado, um grande contingente de oficiais do Exército, Marinha e da Polícia Militar trabalhavam para garantir que a estada de Dilma em território potiguar seja a mais tranquila possível.
O isolamento é garantido inclusive por meio de segurança no mar. Uma corveta fica 24 horas controlando uma linha imaginária de três milhas náuticas (cerca de 5,5 km) a partir da costa. Nesse perímetro, nenhuma embarcação tem autorização para entrar. Na praia de Ponta Negra , a última antes do Morro do Careca, que protege o local em que Dilma está hospedada, também há vigilância de militares para impedir que não sejam feitas imagens da presidente e sua família.
Sobreaviso
Apesar do isolamento, Dilma mantém seu chefe de gabinete, Giles Azevedo, de sobreaviso. Ele está na Praia da Pipa, ao sul de Natal, a cerca de 35 km do local onde a presidente está hospedada. Segundo a Presidência da República, a estada de Giles está sendo bancada por ele próprio.
Havia informações não oficiais de que a prefeita de Natal, Micarla de Souza (PV), ou o vice-presidente Michel Temer ou o empresário Eduardo Safra poderiam ser recebidos por Dilma para um almoço. Nenhum deles, no entanto, entrou na Barreira do Inferno para um encontro com a presidente.
Na entrada da base da Aeronáutica, apenas turistas. A maioria deles nem sabia que dentro da base estava a presidente da República. Estavam mais preocupados em tirar fotos ao lado de um antigo avião da Aeronáutica e da réplica de um foguete, localizados na entrada da base.
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Interatividade
A presença de Dilma Rousseff em festas carnavalescas no ano passado foi uma ação de marketing político?
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