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Ala petista critica ajuste do governo e abre dissidência interna

Duas tendências do partido se mostraram contra a política econômica elaborada pelo governo Dilma Rousseff

Presidente do PT, Rui Falcão é um dos membros  da tendência Novo Rumo, uma das mais fortes do partido. | Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo
Presidente do PT, Rui Falcão é um dos membros da tendência Novo Rumo, uma das mais fortes do partido. (Foto: Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo)

Unidos, integrantes de duas tendências petistas – a principal delas vinculada à chapa O Partido que Muda o Brasil, a mais forte no congresso do PT que começa nesta quinta-feira (11) – abriram uma dissidência interna, ao criticar o ajuste fiscal promovido pelo governo federal.

Representantes das correntes Novo Rumo e Esquerda Popular e Socialista (EPS) escreveram um documento em que criticam a condução da política econômica do governo Dilma Rousseff e afirmam que as denúncias de corrupção abalam a imagem do partido.

Um dos membro da Novo Rumo é o presidente do partido, Rui Falcão, que, no entanto, é coautor da tese da chapa majoritária. Outro é o secretário nacional de Comunicação da sigla, o deputado estadual José Américo (SP).

O texto dos dissidentes, que será apresentado ao congresso da sigla, em Salvador, diz que a aprovação do governo Dilma “desabou” e que as medidas do ajuste fiscal criaram, “para dizer o mínimo, um clima de desconfiança” na base petista.

Segundo o texto, as medidas “estão voltadas principalmente para acalmar os mercados e seus representantes”.

“Os efeitos inevitáveis da crise junto à maioria do povo – desemprego, inflação e alta de juros – têm um efeito devastador na imagem do governo e do PT, principalmente quando se combinam com as sucessivas denúncias de corrupção direcionadas contra ambos por parte da grande imprensa”, diz. “Nas pesquisas de opinião mais recentes, a aprovação do governo desabou. E a do PT, também.”

Coordenador do grupo, José Américo explica que seus delegados deverão apoiar a tese-guia apresentada pela maior força partidária.

Ele diz, no entanto, que o documento alternativo nasce da necessidade de apontar saídas para o momento político, com medidas voltadas para as classes baixas. O documento será submetido à votação. “É preciso sinalizar para camadas mais populares” , justifica.

Em outro trecho, o documento diz que o projeto de ajuste fiscal “não veio acompanhado dede nenhuma sinalização para as camadas populares de que os ricos também ajudariam a financiar a crise”. Critica ainda a “ausência de uma negociação prévia [do governo] com a base parlamentar e o movimento sindical”.

Reação

O secretário de organização do PT, Florisvaldo Souza, se disse surpreso com o texto da corrente Novo Rumo, que é braço da PMB no controle do partido. Um dos coordenadores da maior força do partido (a CNB), Florisvaldo diz que a tendência não foi informada da decisão do aliado de escrever um documento à parte. “Foi como sair de casa e não avisar para ninguém. Esse documento vai na contramão do clima que tentamos estabelecer no congresso”, reagiu Florisvaldo.

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