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Segurança

Alckmin evita comentar acusação de uso político de ameaças do PCC

Em entrevista ao jornal "Valor Econômico", o ex-secretário de Segurança Pública Ferreira Pinto afirmou que as ameaças eram conhecidas desde 2011 e não tinham credibilidade

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) evitou, nesta quinta-feira (31), criar polêmica a partir das declarações de seu ex-secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, que afirmou que o tucano tentou lucrar politicamente com ameaças de morte feitas por integrantes da facção PCC (Primeiro Comando da Capital).

"Olha, eu acho que ele [Ferreira Pinto] fez, em seu tempo, um bom trabalho. Nós estamos em um outro tempo e hoje, neste momento, o secretário [Fernando] Grella está em Brasília em um encontro com o ministro da Justiça e nós vamos fazer um grande trabalho em conjunto", disse Alckmin.

Em entrevista ao jornal "Valor Econômico", Ferreira Pinto afirmou que as ameaças eram conhecidas desde 2011 e não tinham credibilidade. Ainda de acordo com o ex-secretário, a inconsistência da informação era conhecida pelo então procurador Fernando Grella, que o sucedeu no cargo.

Escutas

O ex-secretário também declarou que uma central de escutas, desativada por Grella depois que este assumiu a secretaria, foi erroneamente tida como clandestina pela imprensa. "É uma inverdade tão grande que eu lamento que o secretário não tenha colocado as coisas no devido lugar", disse Ferreira Pinto ao "Valor", apontando que Grella era o maior responsável pela escuta, enquanto ainda estava no cargo de procurador-geral de Justiça.

"Ele tinha obrigação de vir a público e dizer que a escuta não era ilegal e que ele tinha plena ciência, tanto que foi lá três vezes cumprimentar o pessoal pelo trabalho desenvolvido", afirmou.

Corrupção e manifestações

O entrevistado também alega ter combatido a corrupção e contrariado diversos interesses: "Transferi a corregedoria da Polícia Civil para o meu gabinete. Vários policiais civis e militares foram demitidos. Durante o tempo em que fui secretário ninguém loteou distrito policial, seccional de polícia ou uma diretoria."

Ferreira Pinto foi crítico da atuação policial diante dos protestos dos últimos meses. "Se ora a polícia age com muita violência, ora deixa os manifestantes queimarem coisas e depredar o patrimônio, há um problema de comando", argumentou.

O ex-secretário caiu do cargo há um ano, diante de uma onda de violência em São Paulo. Recentemente, filiou-se ao PMDB, como resultado de aproximação conduzida pelo ex-governador Luiz Antonio Fleury Filho, e presente se candidatar a deputado federal com a bandeira de combate à corrução. "Jamais voltarei a ser secretário da Segurança", promete.

"No caso dos 'Black Blocs' a investigação está em curso. E no caso de organização criminosa, já fizemos a transferência para o RDD do primeiro desses criminosos estamos aguardando a decisão judicial para os demais", acrescentou, referindo-se ao Regime Disciplinar Diferenciado, dispositivo que buscar dificultar a atuação de fações do crime organizado.

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