
Porto Alegre - Sem alternativa que não participar da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta pela oposição para investigar supostas irregularidades no Executivo do Rio Grande do Sul, as bancadas aliadas do governo de Yeda Crusius (PSDB) aderiram à proposta ontem. Inicialmente, vão trabalhar pela blindagem do governo e para evitar que o PT faça das sessões um palanque para 2010, quando tem no ministro da Justiça, Tarso Genro, um forte candidato ao governo estadual. Mas ao mesmo tempo deixam o caminho aberto para abandonar o barco governista e cuidar dos próprios interesses se durante as investigações aparecerem provas que comprometam Yeda.
O requerimento foi elaborado pela bancada do PT no início de maio, depois de a revista Veja publicar transcrições de conversas entre o ex-representante do governo gaúcho em Brasília, Marcelo Cavalcante, morto em fevereiro, e o pivô da fraude do Detran, Lair Ferst, indicando que Carlos e Yeda Crusius teria pago R$ 400 mil "por fora", com dinheiro do caixa 2 da campanha de 2006, na compra de um imóvel. O casal Crusius nega a irregularidade. Posteriormente a imprensa gaúcha publicou outras transcrições vazadas de processos judiciais que incriminariam auxiliares próximos de Yeda.
Nos três meses em que circulou na Assembleia, o requerimento não conseguiu mais do que 17 assinaturas quando, para ser aprovado, precisaria de 19. Para aderir, os defensores do governo queriam "fato novo", que surgiu na tarde de quarta-feira, quando o Ministério Público Federal anunciou que está movendo ação de improbidade administrativa contra Yeda e mais oito pessoas, com pedido, inclusive, de afastamento do cargo e de bloqueio de bens. Três deputados do PDT assinaram imediatamente.
Como a adesão dos três pedetistas aprovava a criação da CPI, as bancadas contrárias reavaliaram suas posições. Nesta quinta-feira assinaram o requerimento nove deputados do PMDB, seis dos nove do PP e três dos cinco do PTB.
A governadora Yeda Crusius acusou os seis procuradores da República que pediram seu afastamento de terem armado um "circo político" e de extrapolarem suas funções, deixando que eventuais desejos políticos pessoais contaminassem seus papéis de defensores do direito.



