
Mais magro, com semblante cansado e de poucos amigos, o ex-senador Demóstenes Torres voltou ontem ao trabalho. Numa sala modesta, e com direito a dois funcionários, o senador cassado está de volta ao local que o projetou como guardião da moralidade a 27ª Procuradoria de Justiça, do Ministério Público de Goiás (MP-GO).
A volta de Demóstenes foi silenciosa. Após cumprir cinco dias de licença, o procurador de Justiça desceu do elevador privativo sozinho, sem ser notado. Cercado por jornalistas, no corredor e diante da porta, se negou a dar entrevistas. No interior da sala, foi recebido pelo assessor. Pediu e recebeu um cafezinho, cumprimentou dois amigos que o visitaram, depois se trancou.
O MP não informou o salário ou o número de funcionários. Mas, sabe-se que Demóstenes terá de selecionar dois novos auxiliares a que tem direito. Os atuais, são vinculados a outro procurador.
Processo
Oficialmente cassado e inelegível até 2027, o ex-senador vai responder a processo disciplinar, na Corregedoria Geral do MP. O processo visa investigar uma "eventual infringência de dever funcional", dele, como procurador de Justiça enquanto exercia o mandato de senador. Neste processo, explicou um servidor da Corregedoria do MP de Goiás, Demóstenes poderá ser punido com advertência, ou com a demissão do cargo que, em tese, é vitalício. A questão é a acusação de quebra de decoro parlamentar.



