
A aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva saltou 11 pontos de junho a setembro, segundo pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada ontem. A avaliação positiva do governo ótimo ou bom cresceu de 58% para 69%. Também cresceu, de 72% para 80%, a aprovação do desempenho pessoal do presidente Lula, enquanto a desaprovação caiu de 24% para 17%. Os melhores resultados foram alcançados no Nordeste, onde 92% aprovam a maneira como o petista governa. Ele também se saiu bem entre pessoas com renda familiar de até um salário mínimo (87%), moradores de municípios com até 20 mil habitantes (86%) e os que estudaram até a quarta série do fundamental (84%).
A avaliação pessoal de Lula cai quase 30 pontos percentuais quando os entrevistados têm renda familiar acima de dez salários mínimos, com 56% de aprovação e 42% de desaprovação, e têm ensino superior, com 66% de aprovação contra 29% de desaprovação. Considerando as regiões, é no Sudeste que Lula tem a menor aprovação: 74%, contra 22% de desaprovação.
Na avaliação de governo, o número dos que o consideram regular passou de 29% para 23%, enquanto os que dizerm ser ruim caíram de 12% para 8%. O desempenho do governo é o melhor registrado desde o primeiro mandato de Lula, em 2003, mas não superou o recorde histórico de 72% de avaliação positiva alcançado por José Sarney em 1986, no auge do Plano Cruzado, na série Ibope/CNI.
Reduto lulista
Assim como no desempenho pessoal, o governo se sai melhor no Nordeste, onde é considerado positivo por 84% da população e mal-avaliado por apenas 4%. A avaliação "ótimo" ou "bom" também é alta entre pessoas com renda de até um salário mínimo, com 80%, e eleitores de cidades médias e que estudaram até a quarta série do ensino fundamental, com 76% cada. O único extrato que o governo se mantém com menos de 50% de apoio é o de pessoas com renda familiar maior que dez salários mínimos. Mesmo assim o resultado é favorável a Lula: 49% de avaliação positiva.
Para o diretor de Relações Institucionais da CNI, Marco Antônio Guarita, o alto nível de aprovação se deve a três fatores: o desempenho da economia, a expectativa de desaceleração da inflação e o maior conhecimento da população sobre as reservas de petróleo do pré-sal.
"O desempenho da economia supera inclusive as expectativas positivas do início do ano. Com esse crescimento, o mercado de trabalho está aquecido e a taxa de desemprego registra os menores resultados dos últimos anos. É interessante que a avaliação do futuro da economia ainda não tenha sofrido qualquer impacto pela crise econômica internacional. Ela é recente, toma grandes proporções, o grau de conhecimento da população sobre a crise se expande, mas ela não traz impacto nas avaliações", afirmou .
O porcentual de pessoas que acreditam que a inflação vai crescer caiu de 68% para 55%, enquanto aqueles que acreditam que ela não vai se alterar cresceram de 18% para 27%. Segue estável o porcentual daqueles que crêem que os preços vão diminuir (11%).
Entre as notícias relacionadas ao governo, a mais lembrada pelos eleitores foi o início das extrações do pré-sal, com 9%. Em seguida aparecem as descobertas de novas bacias de petróleo (8%).
Um em cada três ainda não tem candidato a prefeito
A pesquisa CNI/Ibope mostra que 30% do eleitorado brasileiro ainda não têm candidato a prefeito. Enquanto 13% dizem que só vão decidir em quem votar nesta última semana, outros 17% admitem que só tomarão a decisão no próprio dia da eleição: domingo. Por outro lado, 63% dos entrevistados afirmam que já escolheram seus candidatos a prefeito. O levantamento do Ibope aponta que 52% dos eleitores definiram seus candidatos antes mesmo do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, na segunda quinzena de agosto. Outros 11% fizeram a opção depois que começou o chamado palanque eletrônico.
O apoio do governador do estado na decisão do voto é importante para 6%, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 8%. O índice de influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições difere da pesquisa CNT/Sensus divulgada na semana passada, onde 44,1% afirmaram que votariam em candidatos de Lula.
Com relação às áreas que se espera em que o novo prefeito atue, as mais citadas são: saúde (48%), emprego (45%), educação (25%) e combate à pobreza (21%). Curiosamente, 15% citaram a segurança pública, setor que não está sob alçada direta do prefeito, enquanto nenhum eleitor ressaltou a coleta de lixo, esta, sim, controlada pelas prefeituras.



