O presidente nacional do PSB, Miguel Arraes, foi enterrado no final da tarde deste domingo após cortejo emocionado que contou com a presença de cerca de 15 mil pessoas. O cortejo fúnebre percorreu uma distância de cerca de dois quilômetros entre o Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, e o Cemitério de Santo Amaro, na zona norte de Recife. Durante o cortejo, populares gritaram 'Arraes, guerreiro, do povo brasileiro' e mostraram cartazes em homenagem ao deputado federal, que governou Pernambuco em três oportunidades.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido com aplausos e saudações entusiasmadas por populares ao chegar para o velório de Miguel Arraes, que morreu no sábado após dois meses de internação.
Ao som de "olê, olê, olá, Lula, Lula", o presidente chegou acompanhado de seis ministros. As pessoas gritavam e davam recados de que acreditam em Lula, cujo governo é alvo de denúncias de corrupção. No velório, o presidente permaneceu por cerca de dez minutos com a família do ex-governador Miguel Arraes. Lula abraçou a viúva, dona Magdalena, e seguiu para o segundo andar do palácio, resrevado pelo governo de Pernambuco para o descanso da família. Ele retornou a Brasília às 11h.
A comoção pela morte do maior lider politico de Pernambuco não evitou o clima de campanha eleitoral. Depois dos aplausos para Lula, a multidão concentrada na frente do Palácio do Campo das Princesas vaiou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o prefeito da capital paulista, José Serra (PSDB). Também foram vaiados o ex-ministro meio ambiente do governo de Fernando Henrique Cardoso, Raul Jungmann, e o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire. Ambos são políticos pernambucanos e opositores de Lula.
- As vaias foram descabidas e fora de hora - disse, depois, Alckmin.
O prefeito José Serra completou:
- Foram organizadas por uma claque petista.
Dentre os ministros que acompanharam Lula no Velório de Arraes, que foi três vezes governador de Pernambuco, o mais emocionado era sérgio Resende, da Ciência e Tecnologia, que foi secretário de Arraes no terceiro mandato dele no estado. Ao se deparar com o caixão do ex-governador, o presidente Lula também demonstrou estar emocionado.
"Foi durante o governo Arraes que muita gente comprou o primeiro colchão, o primeiro rádio de pilha, e ganhou luz elétrica. O que conforta é que a pqassagem de Arraes pela Terra valeu a pena", disse Lula a dona Magdalena, viúva do presidente do PSB, segundo informou o porta-voz da Presidência, André Singer. A referência de Lula foi ao acordo do campo negociado por Arraes em 1963, quando era governador pela primeira vez. O acordo tirou camponeses do regime semi-escravo em que trabalhavam e marcou o início da trajetória de Arraes como mito político no estado.
Durante a madrugada, o ex-ministro da Casa Civil e deputado federal José Dirceu (PT-SP) e a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) estiveram no velório, que começou às 19h do sábado. Até 10h deste domingo, mais de cinco mil pessoas, muitas chorando e exibindo cartazes, já tinham passado pelo Palácio das Princesas. A expectativa é de que até o enterro, marcado para 16h, de 200 mil a 300 mil pessoas visitem o salão onde está o caixão com o corpo do ex-governador.
Miguel Arraes morreu na manhã de sábado, aos 88 anos. Ele estava internado desde 16 de junho, em Recife. O atestado de óbito foi assinado pelo clínico Ciro Andrade Lima e diz que a causa da morte foi choque séptico provocado por infecção respiratória e agravado por insuficiência renal.



