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Desvio de verbas

Bloqueio de bens de Maluf frustra MP

Entenda o esquema que teria sido montado por Paulo Maluf |
Entenda o esquema que teria sido montado por Paulo Maluf (Foto: )

SÃO PAULO - Ao excluir a Eucatex S.A. Indústria e Comércio do bloqueio de bens pedido pelo Ministério Público estadual, o juiz Aléssio Martins Gonçalves, da 4.ª Vara da Fazenda Pública, frustrou o principal objetivo dos promotores de Justiça que investigam as suspeitas de desvios de verbas públicas em obras superfaturadas na gestão do ex-prefeito Paulo Maluf (1993-1996). O alvo maior da ação era a empresa controlada pela família Maluf.

Os bens do atual deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), os de sua mulher, Sylvia, e os do filho Flávio, diretor-presidente da Eucatex, já estavam indisponíveis por força de outra ação.

A liminar atinge apenas outros dois filhos do ex-prefeito de São Paulo, Otávio e Lina, duas empresas "offshore" supostamente controladas por Maluf (Kildare Finance Limitec e Macdoel Investment Limited) e o jordaniano Hani Bin Al Kalouti.

A Eucatex era visada pelo Ministério Público por vários motivos. Para os promotores de Justiça Sílvio Antonio Marques e Saad Mazloum, autores da ação civil pública, a principal fatia dos US$ 166 milhões que teriam sido remetidos ilegalmente para o exterior foi aplicada na empresa. Com a Eucatex fora do bloqueio, temem a dilapidação do patrimônio.

Segundo a acusação, parte do superfaturamento na construção da Avenida Água Espraiada e do Túnel Ayrton Senna foi enviado ile­­­­galmente por doleiros para contas secretas no exterior e investido na Eucatex pelas empresas "offshore’’. "Se os bens da Eucatex não forem bloqueados pela Justiça brasileira, corre-se o risco de os tribunais da Suíça, de Jersey, da França e de Luxemburgo reverem o bloqueio de bens já determinado naqueles países’’, alega a promotoria.

O juiz entendeu que a indisponibilidade de bens da Eucatex poderia levar à falência da empresa, em recuperação judicial, prejudicando eventual ressarcimento aos cofres públicos.

O Ministério Público recorrerá ao Tribunal de Justiça para tentar estender o bloqueio.

Os advogados de Maluf vão recorrer contra o bloqueio. Adilson Laranjeira, assessor de imprensa do ex-prefeito, afirma que os argumentos da promotoria "são meras repetições de falsas acusações apresentadas desde 2001, até hoje nunca provadas e algumas até arquivadas, como a existência de contas de Maluf na Suíça ou irregularidades na construção do túnel Ayrton Sena’’.

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