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Discurso

Brasil é exemplo de democracia para o mundo árabe, diz Obama

No Rio, presidente dos EUA tece rasgados elogios ao país. Para ele, transição democrática brasileira é modelo

Obama discursa no Theatro Municipal: muitos aplausos e um único momento de vaias, quando ele deixou de citar o nomes de dois times de futebol do Rio | Jim Watson/AFP
Obama discursa no Theatro Municipal: muitos aplausos e um único momento de vaias, quando ele deixou de citar o nomes de dois times de futebol do Rio (Foto: Jim Watson/AFP)

Rio de Janeiro - Num discurso recheado de elogios aos brasileiros e repleto de palavras em português, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem no Rio de Janeiro que a transição feita pelo Brasil da ditadura para a democracia é um modelo para o mundo árabe, governado há décadas por ditadores e que agora passa por um momento em que o povo exige mais liberdade. O pronunciamento de Obama foi feito no Theatro Municipal, no centro do Rio, para cerca de 2,2 mil convidados, que o aplaudiram diversas vezes.

"A transição para a democracia no Brasil, nos anos 1980, pode servir de exemplo às nações do Oriente Médio", disse Obama. "Esse é o exemplo do Brasil, um país que mostra que a ditadura pode se transformar em uma vibrante democracia, um país que mostra que a democracia leva liberdade e oportunidades ao povo."

Obama lembrou que, nos últimos meses, o mundo árabe tem sido palco de manifestações populares que pedem mais liberdade e democracia. "Em toda a região, nós vimos jovens se levantando. Uma nova geração exigindo o direito de decidir seu próprio futuro." O presidente americano citou especificamente a Líbia, país que está sendo atacado por uma coalizão de nações: "Temos visto o povo da Líbia assumir uma corajosa posição contra um regime determinado a brutalizar seus próprios cidadãos."

Obama ainda fez questão de destacar que, embora os Estados Unidos faça parte do grupo de países que ataca a Líbia, seu país irá respeitar a vontade do povo árabe. "Desde o começo, deixamos claro que a mudança que eles procuram deve ser feita por seu próprio povo. Mas, como duas nações que têm lutado por muitas gerações para aperfeiçoar suas próprias democracias, os EUA e o Brasil sabem que o futuro do mundo árabe será determinado pelo seu povo." E prosseguiu: "Ninguém sabe dizer ao certo como essa mudança irá acabar, mas eu sei que mudanças não são algo que deveríamos temer".

Exemplo de Dilma

O norte-americano ainda como exemplo a presidente Dilma Rousseff, que foi torturada pela ditadura militar brasileira, resistiu e hoje comanda o país. "A filha de um imigrante sabe o que é viver sem os direitos humanos mais básicos. Ela [Dilma] sabe o que é superar. Esta mulher é a presidente de todos aqui, é Dilma Rousseff."

Nos meios políticos e diplomáticos, a referência a Dilma foi interpretada como mais do que um simples elogio de um político a outro. Seria uma forma de mostrar que uma possível posição brasileira de defesa de nações que desrespeitam os direitos humanos, como o Irã, seria incoerente com a história da própria presidente. Durante o governo Lula, o Brasil se alinhou a países pouco democráticos. Dilma tem demonstrado, porém, que o país deve mudar esse posicionamento.

Afagos

Durante o discurso no Theatro Municipal, Obama fez ainda uma série de afagos aos brasileitos. Iniciou sua fala falando em português: "Alô", "Cidade Maravilhosa" e "todo povo brasileiro" para conquistar a plateia. Depois citou o clássico do campeonato carioca Vasco e Botafogo, disputado ontem. Chegou a ser vaiado por parte da plateia, descontente com a referência a apenas dois dos quatro principais times do Rio (os outros são o Flamengo e o Fluminense). E reconheceu que futebol é assunto muito sério no Brasil. Depois afirmou: "Como disse o cantor, o Brasil é um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza", em referência a Jorge Ben Jor.

Durante seu discurso, o presidente americano ainda afirmou que o Brasil emergiu de décadas de mau desempenho para se tornar uma economia poderosa que tem muitos valores em comum com os Estados Unidos. De acordo com ele, uma antiga piada de que o Brasil seria sempre um "país do futuro" não é mais verdadeira. "Para o povo do Brasil, o futuro chegou", afirmou, sendo seguido de calorosos aplausos da plateia.

Obama disse que Brasil e EUA têm uma cultura e uma história parecidas, incluindo suas lutas contra poderes coloniais e seus povos multiculturais.

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