Brasília (Folhapress) Em seu quarto depoimento no Congresso, o advogado Rogério Buratti reafirmou ontem à CPI dos Bingos ter sido consultado sobre "mecanismos" para trazer US$ 3 milhões de Cuba ao Brasil a pedido do ministro Antônio Palocci (Fazenda). Segundo o advogado, o dinheiro seria usado para pagamento da campanha que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.
Ele disse também que o ministro tinha conhecimento da doação de R$ 1 milhão que donos de casa de bingo teria feito para a campanha do PT à Presidência. Afirmou, entretanto, não saber se o dinheiro "foi por fora ou por dentro", fazendo referência a caixa 2.
Antes de ouvir o advogado, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) chegou a sugerir a retirada de um requerimento de convocação de Palocci, mas os senadores da CPI decidiram esperar a ida do ministro à Comissão de Assuntos Econômicos, no dia 22, para depois votar ou não o pedido.
Para o senador José Jorge (PFL- PE), o ministro deve explicações. "Tentamos sempre preservar o ministro Palocci para que a crise política não afetasse a economia, mas as acusações estão se acumulando. O que tínhamos de preservar, já preservamos."
No depoimento, Buratti disse não ter sido uma "testemunha ocular" do suposto envio dos dólares cubanos, mas relatou ter sido consultado por Ralf Barquete, ex-secretário de Palocci durante sua gestão na Prefeitura de Ribeirão Preto (SP), sobre "mecanismos para trazer recursos do exterior para o Brasil". Barquete morreu de câncer em 2004.



