Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Punição

CCJ do Senado vota nesta quarta projeto para castração química de pedófilos

Relator prevê tratamentos alternativos antes de aplicação do procedimento. Se for aprovada pelos senadores, matéria seguirá para análise na Câmara

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deve analisar nesta quarta-feira (16) um projeto de lei que pretende instituir a castração química para pedófilos condenados por estupro, atentado violento ao pudor e corrupção de menores. O texto será votado em decisão terminativa e, se aprovado, não precisará passar pelo plenário do Senado, sendo enviado diretamente à Câmara dos Deputados.

Elaborada pelo senador Gerson Camata (PMDB-ES), a proposta cria a pena de castração química para pedófilos que cometam essas três modalidades de crimes contra menores de 14 anos. Camata avalia que a pedofilia envolve deformação psíquica de tal ordem que impede a reabilitação dos indivíduos que apresentam o distúrbio. Em razão disso, e considerando os danos psicológicos impostos às vítimas, o senador entende que o problema precisa ser enfrentado com "máxima objetividade e rigor".

O relator da matéria, senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), no entanto, optou por retirar o caráter impositivo e apenas recomendar a adoção do tratamento hormonal voluntário no seu relatório. A obrigatoriedade do procedimento, na avaliação de Crivella, inviabilizaria a proposta, já que a Constituição impede a aplicação de penas cruéis.

Tratamento opcional

Crivella deixa a cargo do detento a opção de submeter-se ao tratamento químico de controle da libido. O preso que optar pelo procedimento terá de passar por uma avaliação médica para aprovar a realização do tratamento. A castração será aplicada apenas nos casos mais graves, em que os tratamentos psicológico ou psiquiátrico não tenham surtido efeito.

O condenado que aceitar o procedimento poderá ter a pena reduzida em um terço, mas terá que começar a terapia antes da concessão de liberdade condicional.O preso fica obrigado a continuar o tratamento até que o Ministério Público e o juiz de execução reconheçam, por meio de laudo médico, a conclusão do tratamento.

No texto recomendado pelo relator, o condenado que reincidir nos crimes, já tendo feito o tratamento de controle hormonal da libido, não poderá mais fazer a opção por essa terapia durante o cumprimento da nova pena.

Crivella lembra em seu relatório que o tratamento químico já é adotado por países como os Estados Unidos e o Canadá e está em estudo na França e na Espanha. Segundo ele, a terapia química torna possível o retorno do pedófilo ao ambiente social, depois de superada sua patologia, deixando então de ser um "perigo" para os outros.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.