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Chico Buarque, Wagner Moura e intelectuais convocam para ato pró-Dilma

Leonardo Boff, Fernando Morais e Eric Nepomuceno também assinam manifesto em defesa da democracia

Chico Buarque lidera o movimento pró-Dilma entre os intelectuais. | Reprodução/You Tube
Chico Buarque lidera o movimento pró-Dilma entre os intelectuais. (Foto: Reprodução/You Tube)

Cinco importantes personalidades do meio artístico e intelectual do país divulgaram nesta terça-feira (5) um manifesto a favor da permanência da presidente Dilma Rousseff no cargo. Assinado por Chico Buarque, Leonardo Boff, Wagner Moura, Fernando Morais e Eric Nepomuceno, o texto convoca para um ato em defesa da democracia, no Rio de Janeiro, na próxima segunda-feira, 11 de abril, dia em que está prevista a votação do processo de cassação do mandato da presidente na Comissão do Impeachment da Câmara.

LEIA MAIS: Veja os detalhes do manifesto

“Defendemos e defenderemos, sempre, o direito à crítica, por mais contundente que seja, ao governo - a este e a qualquer outro. Mas, acima de tudo, defendemos e defenderemos a democracia reconquistada. Uma democracia, vale reiterar, que precisa avançar, e muito. Que não seja apenas o direito de votar, mas de participar, abranger, enfim, uma democracia completa, sem fim. Em que cada um possa reivindicar o direito à terra, ao meio-ambiente, à vida. À dignidade. Ela custou muita luta, sacrifício e vidas. Custou esperanças e desesperanças”, diz o texto, publicado por Fernando Morais em seu perfil no Facebook.

Sem mencionar a presidente Dilma, os autores do manifesto citam sua diversidade de “opções ideológicas, políticas e eleitorais”, mas ressaltam que a “defesa da democracia”, o “respeito á vontade da maioria e à diversidade de opiniões” os une. Apesar de reconhecerem que o processo de impeachment está previsto na Constituição, eles argumentam que seu, “sem base alguma’, constitui um “golpe de Estado”.

Confira a íntegra do manifesto:

“Com este manifesto estamos convocando a todos para um ato unitário em defesa da democracia. Será na próxima segunda-feira, 11 de abril, às cinco da tarde, na Fundição Progresso, na Lapa, Rio de Janeiro

O que vivemos hoje no Brasil é uma clara ameaça ao que foi conquistado a duras penas: a democracia. Uma democracia ainda incompleta, é verdade, mas que soube, nos últimos anos, avançar de maneira decidida na luta contra as desigualdades e injustiças, na conquista de mais espaço de liberdade, na eterna tentativa de transformar este nosso país na casa de todos e não na dos poucos privilegiados de sempre.

Nós, trabalhadores das artes e da cultura em seus mais diversos segmentos de expressão, estamos unidos na defesa dessa democracia.

Da mesma forma que as artes e a cultura do nosso país se expressam em sua plena – e rica, e enriquecedora – diversidade, nós também integramos as mais diversas opções ideológicas, políticas, eleitorais.

Mas nos une, acima de tudo, a defesa do bem maior: a democracia. O respeito à vontade da maioria. O respeito à diversidade de opiniões.

Entendemos claramente que o recurso que permite a instauração do impedimento presidencial – isso que em português castiço é chamado de ‘impeachment’ – integra a Constituição Cidadã de 1988.

E é precisamente por isso, pelo respeito à Constituição, escudo maior da democracia, que seu uso indevido e irresponsável se constitui em um golpe branco, um golpe institucional, mas sempre um golpe. Quando não há base alguma para a sua aplicação, o que existe é um golpe de Estado.

Muitos de nós vivemos, aqui e em outros países, o fim da democracia.

Todos nós, de todas as gerações, vivemos a reconquista dessa democracia.

Defendemos e defenderemos, sempre, o direito à crítica, por mais contundente que seja, ao governo – a este e a qualquer outro.

Mas, acima de tudo, defendemos e defenderemos a democracia reconquistada. Uma democracia, vale reiterar, que precisa avançar, e muito. Que não seja apenas o direito de votar, mas de participar, abranger, enfim, uma democracia completa, sem fim. Em que cada um possa reivindicar o direito à terra, ao meio-ambiente, à vida. À dignidade.

Ela custou muita luta, sacrifício e vidas. Custou esperanças e desesperanças.

Que isso que tentam agora os ressentidos da derrota e os aventureiros do desastre não custe o futuro dos nossos filhos e netos.

Estamos reunidos para defender o presente. Para espantar o passado. Para merecer o futuro. Para construir esse futuro. Para merecer o tempo que nos foi dado para viver.

Leonardo Boff

Chico Buarque de Hollanda

Wagner Moura

Fernando Morais

Eric Nepomuceno”

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