Fiel à tática que sempre usou para fazer política, o governador Roberto Requião ruge como leão quando quer mostrar ser o dono da montanha. Nas últimas semanas, por exemplo, mostrou os dentes para o nanico PCdoB ao demitir Ricardo Gomyde a estrela do partido no governo. Também ameaçou deputados do PT e até do seu PMDB que ousaram demonstrar ter opinião própria.
Sabem por quê? Para passar um recado geral e inespecífico de que no seu flácido PMDB quem dá as ordens é ele e é com ele que os interessados em discutir sucessão devem conversar. Não adianta falar com Romanelli, seu líder, com Pugliesi, presidente do partido, ou com Pessuti, o candidato à sua sucessão.
Pois bem: isto significa que o pedido do PT estadual para conversar com a direção do PMDB dificilmente será aceito. Os petistas, por orientação de Lula, formalizaram em fevereiro esse pedido, mas não obtiveram resposta. E provavelmente não a terão.
Requião quer que as negociações passem exclusivamente por ele, de maneira a garantir mais a realização do seu próprio projeto do que o do seu partido. O projeto é eleger-se senador. Quem lhe dará maior vantagem para assegurar a vitória ameaçada por um conjunto de candidatos opositores viáveis, como Gustavo Fruet e Gleisi Hoffmann?
Pode ser que mais lucrativo seja apoiar José Serra, como consta dos sinais que já emitiu. Ou ficar com Dilma Rousseff, sabe-se lá. Beto Richa ou Osmar Dias? Cristianizar ou não Orlando Pessuti? São as confubulações que faz. Por isso, é possível que solte ainda um rugido em direção ao presidente Lula, com quem estará no próximo dia 22, antes de tomar sua decisão.
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Olho vivo
Oficializando
Oficial de justiça pode ficar à disposição de um desembargador? Essa é a pergunta que servidores menos privilegiados do Tribunal de Justiça dirigem ao presidente Carlos Hoffmann, que, apenas cinco dias após sua posse, em fevereiro, assinou a Portaria nº 104 designando a oficial Cassiana Lambach para o gabinete do desembargador Rafael Cassetari. Os servidores desconfiam que foi cometida uma ilegalidade: o artigo 14 do regimento interno do TJ veda a lotação de oficiais de justiça em outros cargos. Também querem saber as razões do privilégio para, se as considerarem justas e legais, pleitear o mesmo benefício.
Cerimonial 1
A coluna social da Gazeta é assinada pelo jornalista Reinaldo Bessa, em outra página mas esta, que é política, não pode deixar de registrar que a festa de casamento do jovem Kaio Martins, filho do deputado Luiz Carlos Martins (PDT), sábado, foi prestigiada por meio mundo dos que mandam na política paranaense. Estavam lá, por exemplo, o prefeito Beto Richa e o senador Osmar Dias, prováveis adversários na eleição para o governo do estado em 2010, além de muitos deputados aliados de um ou de outro.
Cerimonial 2
O cerimonial não deixou de atentar para as tensões existentes. Tanto que, precavidamente, reservou mesas em lados opostos para Osmar e Beto. Eles se encontraram no meio do salão, é claro, cumprimentaram-se rapidamente e só. Cada qual preferiu participar da festa rodeado à mesa apenas dos seus respectivos e mais fiéis amigos.
Primeira pedra
Quem será o primeiro a dizer: "Sou candidato doa a quem doer" ou "Tchau, agora sou da Dilma?". Nem Beto Richa se arriscou a pronunciar a primeira frase (embora pareça que falta muito pouco para isso) nem Osmar Dias falou em mandar telegrama de despedida ao ex-aliado. Contudo, aproxima-se o dia do juízo. Apertos de um lado e de outro vão fazer alguém soltar a voz primeiro. Por enquanto, ambos lutam para não ganhar essa corrida.
É com os outros
O deputado Tadeu Veneri e a direção do seu partido andam se estranhando. O parlamentar cobra do PT estadual posição mais firme diante do desprestígio e às ofensas que a bancada frequentemente recebe do governo e do seu líder na Assembleia, deputado Luiz Cláudio Romanelli. A presidente Gleisi Hoffmann diz são os próprios deputados que devem fazer a defesa do PT na arena própria, isto é, na Assembleia. E que todos os assuntos de que Veneri reclama firmeza (nepotismo, aumento do funcionalismo etc.) já foram objeto de clara definição partidária oficial. O resto cabe aos deputados.
Balanço da história: quer pela boca de Veneri, que critica também o comportamento dos colegas, quer pela voz de Gleisi Hoffmann, sobrou para os outros cinco deputados petistas se definirem: ou defendem Lula e o partido ou defendem Requião e obedecem a Romanelli.



