A corrida pela vaga aberta no Tribunal de Contas do Estado está atraindo candidatos com os mais diferentes perfis e posições políticas. Dois deputados estaduais, um vereador, um ex-vereador e um líder de movimento organizado estão buscando apoio para chegar ao cargo que era ocupado por Quielse Crisóstomo da Silva, falecido no último dia 7, em Curitiba.
A surpresa na lista de inscritos é a ausência do nome do vice-governador Orlando Pessuti (PMDB), indicado pelo governador Roberto Requião (PMDB) e que tem o apoio da maioria da bancada do partido.
Pessuti está no interior desde quarta-feira e evita falar sobre o assunto. "Só volto para Curitiba na segunda-feira. Estou pensando, mas só vou decidir na semana que vem", afirmou. O prazo para inscrições termina na quinta-feira.
Cinco candidatos já estão inscritos: o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deputado estadual Durval Amaral (PFL), o deputado estadual Mário Sérgio Bradock (PMDB), o vereador Custódio da Silva (PRTB), o presidente do Instituto Brasil- África, Saul Dorval, e o ex-vereador de União da Vitória, Eugênio Primo. Todos em campanha atrás dos votos dos deputados.
A escolha do conselheiro segue um processo de votação diferente dos demais projetos de lei. Uma comissão especial formada por cinco parlamentares vai conduzir a indicação.
A votação no plenário é secreta e ganha quem tiver o voto da maioria dos deputados presentes. Se houver empate, o vencedor será o candidato mais idoso. Por último, o nome passa pela aprovação do governador.
Os concorrentes estão com o discurso pronto. O deputado Mário Sérgio Bradock (PMDB) decidiu entrar na disputa porque não concorda com a indicação do vice-governador por parte do seu próprio grupo político. "Não estou desqualificando o Pessuti, mas as decisões partidárias têm que ser tomadas em conjunto e não de cima para baixo. Teriam que reunir o partido e escolher, mas primeiro dizem que ele é o candidato e depois comunicam o partido. Não é por aí", protestou.
Outro concorrente é o presidente da CCJ, Durval Amaral (PFL), que faz oposição ao governo. O deputado defende a tese de que a vaga é da Assembléia Legislativa e deve ser preenchida por um deputado estadual no exercício do mandato. "Só estou me animando em função dos apelos que venho recebendo de parlamentares que pensam da mesma maneira. Apesar da indicação política, o Tribunal é um órgão técnico e creio que a Assembléia pode contribuir com esse papel", afirmou.
A Câmara de Curitiba também terá um representante na eleição: o líder do PRTB, vereador Custódio da Silva. "O pessoal me pediu e não posso dizer não ao povo. Estou apto até para ser presidente do Brasil. É só ter honestidade", disse, lembrando que ficou preso um ano e quatro meses, acusado de apropriação indébita dos salários dos funcionários do seu gabinete, mas nada ficou comprovado contra ele. O vereador reconhece que não tem conhecimento sobre as funções de um conselheiro, mas não considera empecilho: "O trabalho a gente aprende com os colegas lá dentro".
O presidente do Instituto Brasil-África, Saul Dorval, explica que está tendo a ousadia de concorrer ao cargo porque o TC é a única instância que não tem representantes afro descendentes.
Filiado ao PMDB, Saul Dorval destaca que não faz parte de oligarquia política nem familiar e não diz "amém ao governador". Para ele, o Paraná precisa legitimar os movimentos sociais. "Quero pressionar as bases eleitorais dos deputados para ser indicado como legítimo representante legal do povo. Além de militante, sou um intelectual urbano que faço propostas públicas", disse.
A única dúvida no processo é a candidatura de Orlando Pessuti. Sua ida para o Tribunal de Contas é considerada estratégica pelo grupo político do governador porque abriria espaço para o PMDB compor com outros partidos e oferecer a vaga de vice na eleição de outubro. Disposto a concorrer à reeleição ou ao Senado, teria que encerrar sua vida pública se for indicado.
Caso fique de fora da disputa pelo TC, o líder da bancada do PMDB, Antônio Anibelli, vai se inscrever. O deputado seria o segundo na preferência do governador.
Além de ser um cargo vitalício, o conselheiro recebe um salário básico de R$ 17 mil e tem direito a indicar 11 assessores.



