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Senado

Conselho vai aprofundar investigação contra Renan. Parecer não deve sair antes do recesso

O Conselho de Ética do Senado decidiu dividir a investigação do caso Renan Calheiros (PMDB-AL) em duas partes. Uma, externa, será feita pela PF, que deve concluir a perícia nos documentos de defesa do presidente do Senado, acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista.

A outra parte do processo, dentro do Senado, envolverá a análise da evolução patrimonial de Renan entre 2002 e 2006 e uma comparação entre obras públicas realizadas pela Mendes Júnior e as emendas orçamentárias feitas pelo senador.

A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), integrante da trinca de relatores do processo, disse nesta quinta-feira que dificilmente o relatório da investigação sobre presidente do Senado ficará pronto antes do recesso parlamentar, que vai de 18 a 31 de julho.

A tucana participou nesta manhã de uma reunião com outro relator do caso, Renato Casagrande (PSB-ES), e o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO). O terceiro relator, Almeida Lima (PMDB-SE), viajou na quarta-feira para seu estado, para o tratamento de uma crise renal.

- Acho difícil concluirmos antes do recesso. Não adianta apresentarmos um relatório inconcluso. O prazo das investigações vai depender muito do prazo dado pela Polícia Federal - disse Serrano.

Após a reunião, os relatores se encontraram com o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, para saber até que ponto os peritos poderão trabalhar no caso. E ouviram que a PF precisa de 20 dias para periciar os documentos . Até segunda-feira, os relatores vão levantar que tipos de documentos estão faltando e solicitá-los a Renan. Na terça, o conselho deve encaminhar um pedido à Mesa Diretora para que se faça a perícia. Só então os documentos serão enviados à PF e o prazo começará a valer.

Nesta tarde, Serrano, Casagrande e Quintanilha devem se encontrar de novo para traçar um cronograma de trabalhos, definindo a necessidade de ouvir outros envolvidos no caso. Deve-se decidir também quando será o depoimento de Renan Calheiros, que já se dispôs a prestar esclarecimentos aos conselheiros.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), concede entrevista nesta quarta-feira ao chegar ao Congresso

Os nomes dos novos relatores do processo foram divulgados nesta quarta-feira por Quintanilha. Eles vão sugerir que Renan preste esclarecimentos ao Conselho de Ética, mas desde que o parlamentar aceite falar ao colegiado. Indagado sobre a escolha dos relatores, Renan foi sintético em sua resposta.

- São três bons nomes - disse o senador.

Renan voltou a dizer na quarta-feira que está disposto a permanecer na presidência. O senador argumentou que a crise em torno dele é artificial e aproveitou para atacar a imprensa:

- Setores da mídia que não conseguiram derrubar o presidente Lula no primeiro e no segundo turno (das eleições) querem ir à forra derrubando o presidente do Senado - disse.

Na Grã-Bretanha, reportagem publicada pelo jornal Financial Times afirma que a "saga do presidente do Senado vem desafiando a credulidade dos brasileiros comuns" . O diário britânico diz ainda que a pressão pela renúncia de Renan vem paralisando o andamento de votações no Congresso.

Oposição não quer que Renan presida sessão que votará LDO

Os líderes da oposição na Câmara oficializaram nesta quarta-feira o aviso de que não querem que Renan Calheiros presida a sessão do Congresso que votará a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Alertaram que haverá constrangimento com a eventual presença do senador alagoano.

Os apelos para que o presidente do Senado renuncie à presidência da Casa se intensificaram na tarde desta terça-feira. O PSDB resolveu propor a licença de Renan do cargo de presidente do Senado até que o processo contra ele por quebra de decoro chegue ao fim. Também na terça-feira, Renan sofreu sua primeira derrota na Mesa Diretora do Senado, que devolveu seu processo ao Conselho de Ética.

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