Contrário ao modelo do “distritão” na votação de deputados e sem apoio para levar adiante a proposta de voto em lista, o PT anunciou nesta terça-feira (19) que vai defender o voto distrital misto na reforma política. O voto distrital misto é defendido também pelo PSDB.
Inicialmente, o PT defendia o sistema de voto em lista, segundo o qual o eleitor vota apenas no partido na eleição para deputado e vereador. Nesse sistema, as siglas ordenam, antes das eleições, uma lista de candidatos. Os eleitos obedecem essa lista, dependendo do número de cadeiras a que aquela legenda tiver direito após apurados os votos de todas as siglas.
Já o sistema distrital misto mescla características do sistema distrital (vence o deputado mais votado em cada região ou distrito eleitoral, no qual cada partido só pode indicar um candidato) e o voto em lista. Ou seja, o eleitor vota duas vezes na mesma eleição para deputado: uma em um candidato e outra em um partido.
A decisão do PT de mudar de sistema ocorre porque a sigla viu que o voto em lista não tinha possibilidade de ser aprovado na reforma política, enquanto o modelo misto tem alguma chance de passar.
A mudança do PT é uma reação ao modelo do “distritão”, defendido pelo PMDB e que é o sistema que consta do relatório final da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa propostas para a reforma política.
Mesmo contra sua vontade, o relator da reforma, Marcelo Castro (PMDB-PI), incluiu em seu parecer o distritão. Por esse modelo, são eleitos os mais votados no estado, sem proporcionalidade. O PT é contra o distritão por entender que encarece as campanhas, personifica a eleição e impede a renovação política.
“Vamos defender a partir de agora a proposta que é intermediária. Aceitamos uma composição com o voto distrital misto”, afirmou o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) .



