Cristina Ribeiro, a ex-mulher do seqüestrador do ônibus 499 que a manteve sob a mira de uma arma por mais de 10 horas de agonia na sexta, conversou por telefone neste sábado com o "RJ TV - 2ª edição". A auxiliar de enfermagem disse que não sente raiva do ex-marido, mas espera que ele fique preso, para aprender a lição e para que ela e os filhos possam viver em paz.
Neste sábado, na casa de Cristina, em Austin, Nova Iguaçu, as portas estavam fechadas. A ex-mulher do seqüestrador passou o sábado na casa de amigos. Por telefone ao "RJTV", Cristina disse que está traumatizada e que as agressões que sofreu do ex-marido, na sexta, provocaram pequenas fraturas no rosto, além de hematomas e escoriações pelo corpo.
O motivo da separação:
"Porque ele pedia, dentro de casa, para eu não sair para trabalhar nem estudar porque ele achava que eu ia ser melhor do ele", contou Cristina.
Depois da separação:
"Ele me persegue em todo o lugar que vou. Quando eu acordo ele está na esquina, quando eu vou para o trabalho ele está na porta", lembrou ela.
Dentro do ônibus:
"Me machucou bastante, gritava, apertava meu pescoço, dizia que eu não merecia estar viva", disse Cristina.
Depois de tudo:
"Nada é mais importante do que você viver e ajudar as pessoas. E que ele tire disso, pelo menos, uma lição", deseja ela.
Cristina deve prestar depoimento à polícia na segunda-feira à tarde. O advogado de André não permitiu que o cliente fizesse exame toxicológico, porque, por lei, ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo.
No fim da manhã deste sábado, dois irmãos do seqüestrador do ônibus 499 estiveram na delegacia de Nova Iguaçu, onde ele está preso. Mas não conseguiram visitá-lo.
- Ele chorava muito ontem (nesta sexta), abraçou muito a gente e só falava que estava arrependido, preocupado com ela e com as crianças - disse a irmã de André, Rosimeri da Silva.
André Luiz Ribeiro está numa sala isolada, porque teria recebido ameaças de outros detentos.
O seqüestro durou mais de dez horas, e foi o mais longo do gênero registrado no país 55 pessoas foram mantidas reféns na Via Dutra. As negociações com a polícia tiveram muitos momentos de tensão. André chegou a dar um tiro para o chão, porque se irritou com os xingamentos das pessoas que acompanhavam a ação.
- Nos ajustamos para que no momento em que ele estivesse entregando a arma, nós entrássemos no ônibus e garantíssemos a integridade física de todos ali dentro - disse o capitão do Bope, Gilmar Tramontini.
Antônio da Rocha era um dos passageiros. Ele seguia de ônibus para uma entrevista, em busca de emprego.
- O momento mais tenso era quando ele virava com aquela arma, ele vinha para perto de mim. A hora em que ele tentava dar o tiro ali nela e depois nele. Parecia que eu tava vivendo ali um filme. Eu já vi isso em filme, na realidade não - contou Antônio.
André, vendedor ambulante, e Cristina, auxiliar de enfermagem, foram casados durante 10 anos, tiveram três filhos e estavam separados há seis meses. A irmã de Cristina conta que André era extremamente ciumento, agredia fisicamente a ex-mulher, que foi mantida em cárcere privado, duas vezes.
- Em Santos, em São Paulo, uma semana, e em Nova Iguaçu eles ficaram, parece, que quatro dias. Ele não deixava ela, no caso, se comunicar com a família - lembrou a irmã de Cristina, Regina Ribeiro.
Segundo a polícia, André vai responder por seqüestro e cárcere privado, lesão corporal, porte ilegal de arma e disparo de arma de fogo.



