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Eleição 2010

Depois de sair do PT, Arns retorna ao PSDB

Quando foi deputado federal, senador era tucano. Decisão deve ter reflexos na definição do quadro eleitoral de 2010

“O PSDB é hoje um partido mais maduro. O período entre estar no poder e na oposição provocou muito debate e reflexão.” Flávio Arns, senador | Ag. Senado
“O PSDB é hoje um partido mais maduro. O período entre estar no poder e na oposição provocou muito debate e reflexão.” Flávio Arns, senador (Foto: Ag. Senado)

Brasília - O senador Flávio Arns irá se filiar até amanhã ao PSDB. A decisão é mais uma reviravolta na carreira do paranaense, que deixou o PT há 45 dias. Em 2001, ele havia feito o caminho inverso ao trocar os tucanos pelos petistas um ano antes da eleição que o levou ao Senado.

Nas duas situações as escolhas foram motivadas por questões idênticas. A saída do PSDB ocorreu porque Arns (então deputado federal) negou-se a retirar a assinatura da CPI da Corrupção, que investigaria desvios da gestão Fernando Henrique Cardoso. Já as desavenças com o PT ocorreram porque ele desaprovou a conduta ética do partido ao proteger o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O senador negou que a opção seja contraditória. "O PSDB é hoje um partido mais maduro. O período entre estar no poder e na oposição provocou muito debate e reflexão", declarou. Arns também foi procurado por outras dez legendas, mas disse que o fator decisivo foi a afinidade com as principais lideranças tucanas.

"Tive muita proximidade com o José Serra e o Aécio Neves (governadores de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente) quando fui deputado federal pelo PSDB (1991 a 2002). São pessoas que transmitem confiança, estou pensando no que é melhor para o país." Outro ponto a favor dos tucanos seria a garantia de que ele poderá continuar praticando uma política "apartidária", voltada aos movimentos sociais ligados à educação e aos portadores de deficiência.

A decisão terá reflexos na definição do quadro eleitoral de 2010. Embora Arns diga que ainda não sabe a qual cargo pretende concorrer, a transferência pode embolar a disputa interna pelo Senado. Os tucanos já têm dois pré-candidatos para as duas cadeiras em disputa – os deputados federais Alfredo Kaefer e Gustavo Fruet.

"Essa decisão é melhor deixar para depois, um capítulo de cada vez", afirmou. Além disso, a mudança favorece a candidatura do prefeito de Curitiba, Beto Richa, ao governo do estado. Ex-aluno de Arns no colégio Bom Jesus, Richa conversou pessoalmente com o senador no começo da semana e foi um dos principais articuladores da troca.

Apesar da ligação com o prefeito, Arns disse que é neutro na disputa interna entre Richa e o senador Alvaro Dias pela indicação do PSDB ao Palácio Iguaçu. Outro rival do prefeito na campanha, senador Osmar Dias, tentou até ontem convencer o colega a escolher o PDT. Arns também manteve contato até momentos antes de oficializar a escolha com o PPS e o PSB. "Foi uma decisão difícil porque eu mantenho boas relações com praticamente todos os partidos e, neste momento, tudo está ligado com as eleições de 2010."

Além de mexer na composição eleitoral paranaense, a opção do senador provoca reações no PT. A presidente estadual da legenda, Gleisi Hoffmann, tem defendido que o partido não brigue judicialmente para reaver o mandato. A saída pacífica, porém, não é consenso na direção nacional do partido.

Ao deixar o PT, Arns foi questionado publicamente pelo presidente nacional, Ricardo Berzoini, sobre uma dívida de R$ 66 mil que o senador tinha com o partido. O valor era referente a dois anos de atraso no pagamento da contribuição obrigatória prevista no estatuto do partido. A quantia foi quitada dias depois.

"Também é princípio básico da ética cumprir o que diz o estatuto partidário", disse Berzoini na época. Além disso, Arns tem chances de ser destituído da presidência da Comissão de Educação do Senado. Ele foi escolhido para ocupar o cargo até o final de 2010, mas o PT tem o direito de requerer o posto para outro membro da legenda.

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