Símbolo da esquerda radical brasileira e uma das líderes da oposição ao atual governo, Heloísa Helena despediu-se do Senado nesta quarta-feira, numa das mais emocionadas sessões desta legislatura. A senadora subiu à tribuna já aos prantos. Agradeceu a todos os funcionários do Congresso, dos faxineiros aos assessores diretos, com a voz embargada.
Dois dos mais sisudos políticos da Casa fizeram os primeiros apartes. Emocionados, pela primeira vez os senadores Arthur Virgílio, líder do PSDB, e Jefferson Peres (PDT), choraram no plenário, arrancando lágrimas da senadora em despedida.
- Poucos puderam sair daqui com a cabeça erguida como a senhora está saindo. Fico orgulhoso de ter sido seu contemporâneo no Senado - disse Virgílio.
Repleto de amigos e inimigos ideológicos, o Senado interrompeu os trabalhos para assisti-la. Dezenas de apartes alongaram por horas o discurso da senadora.
Heloísa Helena preferiu candidatar-se à Presidência da República a buscar a reeleição para o Senado. Sua vaga será ocupada pelo ex-presidente Fernando Collor. Sem mandato, ela promete agora voltar à sala de aula como professora universitária em Alagoas. O senador Pedro Simon sugeriu que a senadora permaneça em Brasília para contribuir com o trabalho do Legislativo "ou que vá andar pelo Brasil para divulgar suas idéias".
- Também quero continuar recebendo suas recomendações para o coração - pediu o senador Eduardo Suplicy (PT) à sua "conselheira sentimental", como costuma se referir a Heloísa Helena.
O presidente da Casa, Renan Calheiros, disse que além de a admiração pela senadora ser uma unanimidade entre os senadores "o Senado nunca mais será o mesmo depois de sua passagem pela Casa".



